A crise interna na equipe austríaca virou o principal assunto nas rodas de conversa do paddock, ganhando força após o desempenho sofrido na qualificação Sprint do Grande Prêmio da China. O cenário em Xangai trouxe um contraste raro para a Red Bull: Max Verstappen garantiu sua vaga no SQ3 apenas nos instantes finais, um desempenho que foge da regularidade apresentada pela equipe nas últimas temporadas.
Na análise de Ralf Schumacher, ex-piloto de Fórmula 1, esse momento da equipe é resultado direto de uma reestruturação interna, marcada pela saída de profissionais que foram a base do time nos últimos anos. A lista de baixas impressiona e ajuda a explicar o cenário: o diretor esportivo Jonathan Wheatley (hoje liderando o projeto da Audi), o engenheiro Rob Marshall (agora peça-chave na McLaren) e Helmut Marko deixaram a escuderia austríaca nos últimos anos. Mas o golpe mais duro foi, sem dúvida, a saída de Adrian Newey. O mestre da aerodinâmica e grande responsável pelos carros campeões da marca decidiu levar seu talento para a Aston Martin, deixando um vazio técnico que, pelo visto, nem mesmo o talento de Verstappen consegue preencher sozinho.
Ralf Schumacher critica a Red Bull
Na visão do ex-piloto, a crise da Red Bull é, em parte, consequência natural dessas mudanças. “Estão pagando o preço pela perda de várias figuras-chave dentro da equipe”, explicou.
Schumacher acrescentou que o novo projeto técnico e a adaptação aos regulamentos atuais não parecem ter funcionado como previsto dentro da escuderia de Milton Keynes. “O novo conceito e os novos regulamentos não foram implementados tão bem quanto se esperava. O motor é bom, mas, para sermos honestos, parece que a Racing Bulls teve uma pré-temporada melhor. E ainda precisamos ver o que Lindblad conseguirá fazer com aquele carro. É algo sobre o qual a Red Bull terá que refletir seriamente internamente”, apontou.
O alemão expressou um julgamento muito direto sobre o RB22: “O carro é pesado demais e simplesmente não é bom o suficiente. Nem mesmo o Max pode mudar essa situação. Portanto, ainda há muito trabalho a ser feito.”
Confiança em Verstappen
Apesar de tudo, Schumacher está convencido de que Verstappen tem as qualidades necessárias para superar este momento complicado. “A vida nem sempre é fácil”, comentou ao falar sobre a situação do campeão holandês. “Às vezes acontece e é preciso encarar. O potencial existe e ele tem uma equipe forte atrás de si”, declarou.
Ralf também lembrou que Verstappen já viveu momentos semelhantes no passado. “No ano passado ele também teve uma fase difícil, mas no final conseguiu lutar pelo título. Portanto, ele não deve, de forma alguma, desistir. Como campeão mundial, você precisa saber gerir também essas situações”, finalizou o ex-piloto de Fórmula 1.
Max Verstappen possui contrato com a Red Bull Racing até o final de 2028, mas especula-se a existência de cláusulas de saída caso a equipe não atinja metas de performance ao longo da temporada.