A Cadillac entrou no grid da Fórmula 1 com um único objetivo a curto prazo: ter uma estreia digna. Ela conseguiu em grande parte, pois tanto Sergio Pérez quanto Valtteri Bottas cruzaram a linha de chegada em duas corridas consecutivas, na China e no Japão. Em Suzuka, os pilotos superaram os carros da Aston Martin, que enfrentavam dificuldades, evitando assim a última fila do grid. Isso representou um avanço relativamente encorajador em comparação ao GP de Melbourne, mas também destacou o próximo desafio enfrentado pelos americanos.
Entrar no grid de 2026 foi apenas o começo: agora, a equipe precisa superar seus rivais no desenvolvimento para entrar na briga do pelotão intermediário.
A escuderia introduziu suas primeiras atualizações no Japão: um difusor revisado para aumentar a carga aerodinâmica traseira. Entretanto, a equipe ainda precisa tirar mais de um segundo de diferença para equipes como Alpine, Williams, Racing Bulls e Haas. A Cadillac prepara mais melhorias para sua estreia em casa, em Miami, mas todos os concorrentes farão o mesmo.
"Tem sido muito promissor, mas, por outro lado, também olhamos os tempos de volta e vemos que precisamos nos desenvolver", afirmou Sergio Pérez. "Desenvolver-se significa superar nossos rivais, o que é bastante difícil de fazer na Fórmula 1. Esse é o maior desafio da Cadillac como equipe, porque esses times já estão aqui há muito tempo. Realmente precisamos dar o nosso melhor, e agora é o momento em que todos temos que mostrar do que somos capazes como grupo.", completou.
"Mas acredito que temos uma boa estrutura, poderemos dar passos significativos. Ainda é cedo, então estou feliz com nossa situação atual. Progredimos muito da primeira para a segunda corrida e quero ver o mesmo daqui para frente." concluiu o mexicano.
Pérez espera que a Cadillac seja a equipe a "tirar o máximo proveito da pausa [no calendário]", já que ainda há outros aspectos a serem lapidados, como os procedimentos e sistemas de pista. Até um mês atrás, a equipe nunca havia colocado dois carros de F1 simultaneamente em um circuito.
O consultor técnico da Cadillac, Pat Symonds, está confiante de que a equipe possui tudo que precisa para melhorar o monoposto, sob a supervisão do diretor técnico Nick Chester.
"Acredito que temos um processo muito sólido, é algo muito impressionante por parte da equipe. Temos orçamento para evoluir. Dentro do teto orçamentário, sabemos o que precisamos realizar. Já planejamos um programa de desenvolvimento bastante agressivo e estou confiante de que podemos cumpri-lo.", declarou Symonds no início do ano.
As primeiras melhorias no Japão, após apenas três corridas disputadas na temporada, deram uma amostra disso. Symonds afirmou que o novo difusor cumpriu as expectativas de entregar mais carga aerodinâmica na traseira sem comprometer o equilíbrio do carro.
"Tudo o que estamos tentando fazer é simplesmente adicionar carga ao carro", disse ele em Suzuka. "E, como a maioria das pessoas, queremos garantir que a carga na traseira seja constante. Tínhamos um bom equilíbrio entre alta e baixa velocidade, e também entre pouco e muito combustível. Agora, se conseguirmos adicionar um pouco mais de pressão aerodinâmica, acredito que poderemos começar a entrar na zona intermediária.", finalizou.
A Cadillac ocupa a 10ª posição no mundial de construtores, superando apenas a Aston Martin, que sofre com falhas de confiabilidade e vibrações excessivas no AMR26. Ainda sem pontuar na temporada, o time americano foca no desenvolvimento do seu monoposto para tentar achar um espaço na disputa do pelotão intermediário, que parece estar ainda mais forte este ano.