F1: McLaren diz que melhor piloto ainda faz a diferença apesar dos desafios da nova F1

Gerenciamento de energia tornou a pilotagem mais estratégica, mas Houldey acredita que talento e consistência ainda definirão os resultados

13 ago 2026 - 07h44
Foto: Reprodução / McLaren F1Team

A Fórmula 1 de 2026 exige cada vez mais dos pilotos fora daquilo que tradicionalmente se entende como velocidade. Para Neil Houldey, diretor técnico de engenharia da McLaren, o gerenciamento de energia e a necessidade de adaptar a pilotagem às respostas dos sistemas eletrônicos transformaram a condução em um exercício mais estratégico.

Ainda assim, o engenheiro acredita que a nova realidade não impede que os melhores pilotos continuem fazendo a diferença.

Publicidade

“Os pilotos que entendem o que precisam fazer, que estão atentos e são os melhores da Fórmula 1 continuarão sendo os mais rápidos."

A discussão ganhou força ao longo da temporada devido às dificuldades enfrentadas em pistas com características que dificultam a recuperação de energia. Como os carros dependem de uma divisão próxima entre a potência elétrica e o motor a combustão, a quantidade de energia disponível durante uma volta se tornou um fator determinante para o desempenho.

Uma alteração introduzida antes do GP de Miami reduziu parte do chamado “efeito ioiô”, causado pelas diferenças no estado de carga entre os carros. Mesmo assim, os algoritmos das unidades de potência seguem influenciando o ritmo dos pilotos, gerando diferenças de desempenho de acordo com pequenas variações na condução e nas condições da pista.

Em Spa, Oscar Piastri chegou a criticar o sistema após ser afetado por um cronograma diferente de utilização de energia. Houldey reconheceu que situações desse tipo podem custar tempo em uma volta, mas citou justamente o australiano como exemplo de que o impacto não define sozinho o desempenho.

“Em Spa, Oscar teve um cronograma de utilização de energia um pouco diferente e perdeu alguns décimos, mas ainda estava próximo do Lando."

Segundo o engenheiro, o desafio está em manter a condução precisa. Um erro aparentemente pequeno, como atacar demais uma curva e perder mais velocidade, pode exigir energia adicional na retomada e comprometer o restante da volta.

Publicidade

Por isso, Houldey considera que os carros atuais exigem uma abordagem diferente dos pilotos. A agressividade, por si só, pode não trazer mais vantagens, enquanto a capacidade de pensar na forma como cada ação interfere no gerenciamento de energia ganhou importância.

“É definitivamente um jogo que exige mais raciocínio."

Para o engenheiro da McLaren, os pilotos agora precisam administrar simultaneamente a velocidade de contorno, o uso do acelerador e a utilização da energia elétrica. O desafio também se estende às equipes, que dependem de sistemas cada vez mais complexos para encontrar a combinação ideal entre recuperação e entrega de potência.

Apesar das críticas e das possíveis interferências pontuais dos sistemas, Houldey acredita que o cenário tende a se equilibrar ao longo do campeonato.

“Pode haver uma corrida ou uma classificação em que isso prejudique um piloto ou outro, mas ainda acho que, no fim da temporada, os melhores pilotos estarão nas melhores posições."

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações