A FIA confirmou que irá analisar nesta quinta-feira o pedido da Alpine para revisar as penalidades aplicadas a Pierre Gasly durante o GP de Mônaco, sanções que custaram ao francês um lugar no pódio.
Gasly cruzou a linha de chegada na terceira posição após uma das melhores atuações de sua carreira na Fórmula 1, saindo do nono lugar no grid para terminar entre os três primeiros. No entanto, duas penalidades de cinco segundos por excesso de velocidade nos boxes fizeram o piloto despencar para a sétima colocação na classificação final.
Após a corrida, a Alpine anunciou que exerceria seu direito de revisão e formalizou dois pedidos junto à FIA, um para cada punição recebida pelo francês.
A audiência acontecerá de forma virtual nesta quinta-feira, às 13h.
Antes mesmo de discutir o mérito das penalidades, a equipe francesa terá um desafio importante. De acordo com o Código Desportivo Internacional da FIA, a Alpine precisará apresentar um "elemento novo, significativo e relevante" que não estava disponível aos comissários quando as decisões originais foram tomadas.
Por esse motivo, a audiência será dividida em duas etapas. Primeiro, os representantes da Alpine terão de convencer os comissários de que existe uma nova evidência válida para reabrir o caso. Apenas se esse requisito for aceito é que as penalidades serão reavaliadas.
As punições aconteceram após Gasly exceder o limite de velocidade de 60 km/h na entrada dos boxes em duas ocasiões diferentes, registrando excessos de apenas 0,1 km/h e 0,4 km/h.
O caso gerou grande repercussão após a corrida, já que diversos pilotos também receberam punições semelhantes em Mônaco devido ao método de medição utilizado pela FIA no pit lane do circuito.
Ao contrário de outras pistas, a velocidade não é calculada por uma medição instantânea. Em Monte Carlo, o sistema utiliza sensores espalhados ao longo da chamada "faixa rápida" e calcula uma velocidade média entre os pontos de cronometragem.
Segundo análises realizadas após a corrida, pilotos que cortavam levemente a entrada dos boxes percorriam uma distância menor entre os sensores, o que podia resultar em uma velocidade média acima do limite mesmo sem ultrapassar os 60 km/h mostrados no painel do carro.
Com os dez segundos adicionados ao seu tempo final, Gasly caiu do terceiro para o sétimo lugar, enquanto Isack Hadjar herdou o pódio.
Por conta da diferença de posições, a Alpine praticamente precisa conseguir a anulação das duas penalidades para que o francês recupere o terceiro lugar.
Após a corrida, Gasly não escondeu a frustração e afirmou que se sentiu injustiçado pela decisão.
"Não acho que haja nada que possa me machucar mais agora. Tenho me matado de trabalhar por dez anos para momentos como este."
"Hoje fizemos tudo certo para subir naquele pódio diante de todos os fãs que vieram. Este é o tipo de momento que, para mim, não pode ser tirado de nós por motivos injustos."
Ainda não foi revelado qual será o novo elemento apresentado pela Alpine para sustentar o pedido de revisão. Historicamente, recursos desse tipo raramente são aceitos pela FIA, já que as equipes costumam ter dificuldades para apresentar provas consideradas realmente novas e relevantes pelos comissários.