A Fórmula 1 confirmou um acordo de dez anos para levar o GP da África a Ruanda no início da década de 2030. A categoria não disputa uma corrida no continente desde 1993, quando realizou o GP da África do Sul, em Kyalami.
O anúncio também representa um avanço em uma pauta defendida publicamente por Lewis Hamilton nos últimos anos. O heptacampeão vinha cobrando a inclusão da África no calendário e chegou a afirmar que a categoria não poderia continuar ampliando sua presença em outras regiões enquanto deixava o continente de fora.
Em março de 2026, o piloto da Ferrari revelou que trabalhava nos bastidores havia seis ou sete anos para viabilizar a realização de uma corrida africana. “Por que não estamos na África?”, questionou Hamilton ao comentar as conversas com representantes e responsáveis pela categoria.
Embora a Fórmula 1 não tenha confirmado que a pressão do britânico foi determinante para o acordo, sua atuação ajudou a manter o tema em evidência enquanto avançavam as negociações para o retorno da categoria ao continente.
A corrida será realizada em um circuito construído especialmente para a competição em Bugesera, a cerca de 40 quilômetros da capital Kigali e próximo ao novo aeroporto internacional. A pista deverá seguir os padrões da FIA para receber a principal categoria do automobilismo mundial, mas a data exata da estreia ainda será anunciada.
O projeto integra um plano mais amplo de desenvolvimento esportivo, turístico e econômico de Ruanda. Além de receber a F1, o autódromo deverá sediar outros eventos internacionais, com a expectativa de atrair investimentos, gerar empregos e ampliar as oportunidades para profissionais e empresas locais.
O presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, classificou o acordo como um momento histórico para a categoria. Com a entrada de Ruanda no calendário, a F1 voltará a competir em todos os continentes habitados. Segundo a organização, mais de 100 milhões de pessoas já acompanham a categoria na África.
O presidente ruandês, Paul Kagame, também destacou a importância da iniciativa para o desenvolvimento do país e para os jovens africanos interessados em ingressar no automobilismo, seja como pilotos, engenheiros ou técnicos.
Já o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, afirmou que a entidade acompanhará o desenvolvimento do circuito para garantir que ele atenda aos padrões internacionais.
A parceria de dez anos pretende ir além da realização de uma corrida, com a promessa de estimular o turismo, atrair investimentos e desenvolver talentos locais. A organização divulgará posteriormente os detalhes sobre as obras, a data de estreia e a programação do fim de semana.
Após mais de três décadas de ausência, a Fórmula 1 se prepara para retornar à África. A conquista também se aproxima de um objetivo defendido por Hamilton, que há anos pede maior espaço para o continente no cenário mundial do automobilismo.
Com a chegada de Ruanda, a Fórmula 1 dá mais um passo para ampliar sua presença internacional e retomar uma ligação com a África que permanece interrompida desde 1993.