Após o anúncio da saída de Gianpiero Lambiase no final de 2027, a Red Bull confirma mais uma perda importante dentro do time. Além do engenheiro de corrida de Max Verstappen, a equipe austríaca já conta com a baixa de inúmeras figuras-chave nos últimos três anos, por vezes em circunstâncias obscuras. Mesmo com suas temporadas dominantes entre 2022 e 2023, a Red Bull soma alguns nomes valiosos que hoje fazem parte de outras equipes na Fórmula 1.
Conheça as figuras-chave perdidas pela equipe nos últimos anos:
Rob Marshall, engenheiro-chefe
Em maio de 2023, foi anunciada a saída de Rob Marshall para a McLaren. Sendo essa a primeira grande baixa da Red Bull em muitos anos, Marshall passou 17 anos na equipe. Ingressou em 2006 e trabalhou ao lado de Adrian Newey como projetista-chefe até 2015, tendo papel fundamental na era vitoriosa da equipe no início da década de 2010.
Marshall foi promovido a engenheiro-chefe posteriormente, desempenhando um papel importante na revitalização da equipe. Quando deixou a Red Bull para assumir o cargo de diretor técnico e designer-chefe da McLaren, Christian Horner disse: “Sentiremos falta de sua influência".
O engenheiro é considerado crucial para os recentes sucessos da McLaren, como parte de sua nova parceria com Peter Prodromou (que também foi braço direito de Newey), outro ex-membro da equipe Red Bull.
Lee Stevenson, mecânico-chefe
Lee Stevenson anunciou em março de 2024 que deixaria a Red Bull, após 18 anos na equipe. Mesmo não ocupando uma posição tão elevada quanto outros, é um rosto familiar para o público. Começou na F1 como mecânico na Jordan e também ingressou na Red Bull em 2006, subindo de cargos até se tornar mecânico-chefe de Daniil Kvyat em 2015 e, posteriormente, de Verstappen em 2016.
Stevenson manteve essa função até 2020, quando, a seu pedido, foi promovido ao cargo de mecânico-chefe adjunto, antes de ser nomeado mecânico-chefe em 2023. Após a saída da equipe austríaca, ele se tornou chefe de mecânicos na equipe Sauber, atualmente Audi.
Adrian Newey, diretor técnico
Considerado o projetista mais vitorioso da F1, Adrian Newey deixou a Red Bull no final de 2024 para se juntar à Aston Martin em 2025 como sócio-diretor técnico. Tendo já contribuído para os títulos mundiais da Williams e da McLaren na década de 1990, Newey se juntou à equipe austríaca em 2006. Em três anos, com sua ajuda, a equipe se tornou uma candidata ao título com o RB5, que lançou as bases para a primeira era dominante e campeã da Red Bull, entre 2010 e 2013.
Ele acabou sendo vítima, assim como toda a equipe, da transição fracassada para a era dos motores V6 turbo híbridos, devido às deficiências da Renault. No restante de sua carreira na Red Bull, assumiu um papel um pouco mais discreto, um tanto cansado da predominância dos motores sobre a aerodinâmica, enquanto participava de projetos fora da F1.
Apenas com a mudança para os motores Honda, Newey recuperou a oportunidade de participar do projeto de carros que disputavam títulos, obtendo sucesso entre 2021 e 2024. No entanto, apesar de ter renovado seu contrato com a Red Bull em 2023, o caso Horner e a luta interna pelo poder que veio à tona no início de 2024 o levaram a deixar a equipe em maio daquele ano.
Curiosa e simbolicamente, o anúncio de sua saída, momento que foi criticado pelo próprio Newey por coincidir com o 30º aniversário da morte de Ayrton Senna, ocorreu justamente quando o RB20 começava a mostrar sinais de fragilidade.
Jonathan Wheatley, diretor esportivo
No final da temporada 2024, para levar sua carreira ao próximo nível, Jonathan Wheatley deixou a Red Bull e, embora com menos destaque, foi fundamental para o sucesso da equipe. Chegando também em 2006, após trabalhar como chefe de mecânicos na Benetton e na Renault, o britânico foi inicialmente chefe de equipe antes de se tornar diretor esportivo em 2014.
Wheatley desempenhava funções no pit wall, supervisionando a excelente equipe de pit stop que a Red Bull havia se tornado, além de gerenciar as negociações com a FIA. Em 2024, com 57 anos, ele julgou que Christian Horner, como chefe de equipe, dificultava a progressão interna, então olhou além da Red Bull e foi para a Sauber.
Na atual Audi, Wheatley atuou como chefe de equipe em duas etapas de 2026 até deixar a equipe alemã. Agora é cotado para se juntar à Aston Martin.
Após sua saída da Red Bull, ocorreu uma reformulação na hierarquia e uma série de promoções internas.
Will Courtenay, chefe de estratégia
Depois do Grande Prêmio de Cingapura de 2024, foi anunciada a ida de Will Courtenay para a McLaren, onde se preparava para assumir o cargo de diretor esportivo.
Tendo ingressado na Jaguar em 2003, ele permaneceu mesmo após a transição da equipe para Red Bull. Atuando primeiro como engenheiro de estratégia e, posteriormente, analista, entre 2005 e 2010, Courtenay se tornou chefe de estratégia de corrida em junho de 2010, cargo que ocupou até o final do ano passado, antes de se juntar à McLaren.
No entanto, ao contrário do caso de Wheatley, que se juntou a uma equipe que não estava no mesmo nível da Red Bull, a Red Bull não tinha interesse em acelerar esse processo. Mesmo assim, ele foi autorizado a se juntar à equipe papaya no início de 2026, apesar de ter um contrato que ia até meados do ano.
Christian Horner, CEO e diretor de equipe
Estando na Red Bull desde o primeiro dia, Christian Horner teve uma saída inesperada da equipe em julho de 2025.
Com a confiança e o apoio do cofundador da Red Bull, Dietrich Mateschitz, ele ingressou no "Clube dos Piratas" da F1 em 2005, com apenas 31 anos, ao lado de lendas como Jean Todt, Ron Dennis e Frank Williams. Apesar de sua inexperiência, Horner rapidamente formou a base para o futuro sucesso da equipe, tendo profissionais competentes e dedicados ao seu lado. O destaque desse período foi Adrian Newey.
No final dos anos 2000, a Red Bull já era uma força a ser reconhecida, com temporadas campeãs entre 2010 e 2013. Horner então impôs seu estilo de gestão e comunicação, guiando sua equipe rumo ao patamar das superpotências da F1.
Após o período difícil da transição para motores turbo híbridos, a equipe austríaca se recuperou com os motores Honda em 2019. Voltou a conquistar o título mundial de pilotos em 2021, antes de a equipe dominar as temporadas de 2022 e 2023. Contudo, foi logo depois dessa época de dominância que a equipe construída por Horner começou a ruir e apresentar problemas com o escândalo envolvendo suposto comportamento inadequado do britânico com uma funcionária.
Foi inocentado e permaneceu no cargo após investigações internas, mas as tensões dentro da equipe aumentaram em meio a uma luta por poder, enquanto o desempenho declinava. Mesmo sem perder o campeonato de pilotos de 2024, a temporada foi suficiente para enfraquecer permanentemente Horner, que esteve à frente da equipe por mais de 20 anos.
Quando sua saída foi confirmada, outras duas figuras importantes (embora menos proeminentes) também deixaram a equipe: Oliver Hughes, diretor de marketing e assuntos comerciais do grupo, e Paul Smith, diretor de comunicação do grupo.
Dr. Helmut Marko, consultor de automobilismo
No contexto do declínio recente da Red Bull, Helmut Marko afirmou ter tomado a decisão de deixar a equipe após o término da temporada de 2025. Foram 20 anos ocupando a posição pouco comum de "consultor" responsável pelo automobilismo dentro da marca de bebidas energéticas, além de ser uma das figuras orientadoras da Red Bull.
Foi braço direito e contato interno na equipe de Dietrich Mateschitz, recebeu total confiança e liberdade para estabelecer paralelamente o programa de jovens pilotos, o que possibilitou a progressão de jovens pilotos através das categorias de base. Helmut teve seu primeiro sucesso nessa posição com Sebastian Vettel, primeiro campeão da Red Bull (com quatro títulos), apoiado nas categorias de base antes de sua chegada à Toro Rosso. O caso de outro tetracampeão da equipe, Max Verstappen, foi diferente: o holandês já havia construído sua reputação antes de se juntar à Red Bull, o que só se concretizou graças à garantia de Marko de uma vaga na F1 a partir de 2015.
Além deles, a identificação, o treinamento e a promoção de pilotos para a categoria permitiram que outros pilotos promissores entrassem na F1, alguns dos quais ainda estão no campeonato, apesar de terem deixado a equipe, como Carlos Sainz, Alexander Albon e Pierre Gasly. Isso foi estabelecido em torno da propriedade de duas equipes no campeonato, a Red Bull como equipe principal e a Toro Rosso/AlphaTauri/Racing Bulls como equipe B.
A influência de Marko na Red Bull, porém, foi além do programa de jovens pilotos. Ao lado de Christian Horner, atuou na gestão e nos principais sucessos da equipe. Tornou-se também figura central ao lado de Max Verstappen e ao seu redor na disputa interna de poder, recebendo apoio público do piloto durante a crise envolvendo Horner no início de 2024 e tendo seu contrato renovado até 2026.
Ao mesmo tempo em que consolidou um legado decisivo na formação de talentos e nos anos mais vitoriosos da Red Bull, Helmut Marko também acumulou controvérsias ao longo de sua trajetória. Entre os episódios mais recentes, estiveram as declarações de conspiração sobre Kimi Antonelli após o GP do Catar, que geraram forte repercussão e o obrigaram a se retratar, além de relatos de bastidores que apontaram desgaste interno crescente, reforçando o cenário turbulento que marcou seus últimos meses na equipe.
Gianpiero Lambiase, chefe de engenharia de corrida
Sendo mais conhecido pela sua colaboração com Verstappen como seu engenheiro de corrida, Gianpiero Lambiase foi anunciado fora da Red Bull, a partir de 2028, no início de abril de 2026.
Iniciou sua carreira em 2005 na Jordan, onde passou 10 anos sob diferentes nomes como Midland, Spyker e Force India. Lambiase se juntou à Red Bull em 2015 como engenheiro de corrida de Daniil Kvyat. Quando o piloto russo foi rebaixado para a Toro Rosso em 2016 e substituído por Verstappen, ele manteve essa função. A parceria resultou em sucesso imediato no GP da Espanha daquele ano, em que Verstappen venceu em sua estreia pela equipe principal.
Lambiase viu o holandês vencer seus quatro títulos mundiais entre 2021 e 2024, sendo parte fundamental para essas conquistas, além de ascender gradualmente na hierarquia interna da equipe. Assumiu o cargo de engenheiro-chefe de corrida em 2022, antes de ser promovido a diretor de corridas após a saída de Wheatley.
Embora o futuro de Gianpiero Lambiase na Red Bull já estivesse incerto devido a rumores de ligações com outras equipes, foi anunciado que ele deixaria a organização após o término de seu contrato, no final de 2027. Ele se juntará à McLaren a partir de 2028 como diretor de corridas, sob supervisão de Andrea Stella.