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yrton Senna segue como uma das principais referências para as novas gerações do automobilismo. Às vésperas do GP de São Paulo de Fórmula 1, Gabriel Bortoleto, Franco Colapinto e Rafael Câmara falaram sobre a influência do tricampeão mundial em suas trajetórias e relembraram a importância do brasileiro para o esporte. Durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira (5), os pilotos também comentaram a histórica vitória de Senna no GP do Brasil de 1991 e a estreia de Câmara na categoria, pela Haas.
Bortoleto destacou a influência familiar na construção de sua admiração por Senna. O piloto da Sauber contou que cresceu ouvindo histórias sobre o tricampeão, principalmente por causa de seu pai, que era um grande admirador do brasileiro. Para homenageá-lo, o paulista também preparou uma pintura especial em seu capacete para a etapa de Interlagos, com referência à vitória de 1991.
“Ele é meu ídolo. Cresci ouvindo falar dele em casa. Meu pai era, sem dúvida, um dos maiores fãs dele. Quando você ouve falar de alguém todos os dias dentro de casa, essa pessoa acaba se tornando um herói para você”, afirmou Bortoleto.
O brasileiro também comentou a dificuldade enfrentada por Senna naquela corrida, quando precisou completar as voltas finais com o câmbio de sua McLaren preso na sexta marcha. Mesmo com as limitações mecânicas, o tricampeão conseguiu vencer diante da torcida em Interlagos, em uma das atuações mais marcantes de sua carreira.
Rafael Câmara, que fará sua estreia na Fórmula 1 neste fim de semana pela Haas, também destacou a capacidade de Senna de superar situações extremas. O piloto brasileiro reconheceu que não acompanhou a corrida de 1991 na íntegra, mas ressaltou a dimensão do feito.
“Não assisti à corrida inteira, mas não sei como ele conseguiu fazer aquilo. Exige muito e é incrível o que ele fez. Acho que aquilo definiu a temporada e toda a carreira dele. Ele foi capaz de fazer coisas incríveis que ninguém conseguia explicar muito bem naquela época”, declarou.
Câmara ainda explicou que Senna sempre foi uma referência em sua formação como piloto, destacando a importância de ter uma figura como o tricampeão para servir de inspiração dentro e fora das pistas.
“Ele sempre foi uma inspiração para mim. É muito bom ter alguém em quem você pode se espelhar, sobre quem pode ler, aprender e tentar aplicar essas lições à sua maneira de viver e seguir seu caminho, buscando chegar um pouco mais perto do que ele foi”, completou.
A influência de Senna também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Franco Colapinto afirmou que o tricampeão foi uma das principais razões para seu interesse pela Fórmula 1 desde a infância. O argentino destacou tanto o talento do brasileiro nas pistas quanto sua maneira de lidar com diferentes situações fora do automobilismo.
“Senna foi uma grande inspiração para mim desde muito jovem, quando comecei a acompanhar o esporte e a Fórmula 1. Ele foi a razão pela qual comecei. Meu primeiro treinador falava muito sobre a maneira como ele pilotava”, contou Colapinto.
O piloto da Alpine também ressaltou a importância histórica de Senna para a Argentina e para o automobilismo sul-americano, além de destacar a proximidade cultural entre os dois países.
“A maneira como ele chegou ao esporte, o quanto foi bem-sucedido e não apenas nas pistas, mas também a forma como lidava com as situações no mundo naquela época. Era algo muito único, que poucos pilotos conseguem fazer hoje. É muito especial correr aqui, onde ele deixou tantas histórias bonitas”, afirmou.
Além de falar sobre Senna, Colapinto aproveitou a coletiva para comentar a estreia de Rafael Câmara na Fórmula 1. O argentino passou por uma situação semelhante em 2024, quando foi chamado pela Williams para substituir Logan Sargeant a partir do GP da Itália, em Monza. Na ocasião, recebeu a notícia poucos dias antes da corrida.
Colapinto aconselhou Câmara a aproveitar a oportunidade, manter a tranquilidade e encarar o fim de semana como uma experiência importante para seu desenvolvimento.
“Ele está em uma situação em que precisa aproveitar, se divertir e tentar ficar tranquilo. Sei que há muita coisa acontecendo, mas pelo menos não é um fim de semana com corrida Sprint, o que torna as coisas um pouco mais fáceis”, comentou.
O argentino também elogiou o desempenho de Câmara nas categorias de base e afirmou que o brasileiro conquistou o direito de chegar à principal categoria do automobilismo mundial.
“É incrível estar na Fórmula 1, e ele realmente merece. É um piloto que demonstrou nas categorias de base do que é capaz e merece estar aqui. Trata-se de encontrar os melhores talentos do mundo e colocá-los em um carro de F1. Ele merece essa oportunidade de disputar esta corrida pela Haas”, destacou.
Por fim, Colapinto relembrou sua própria estreia e afirmou que a experiência de Câmara pode ser importante para sua preparação visando os próximos desafios na categoria.
“Me disseram na quarta-feira que eu iria correr em Monza. Eu não tinha quilometragem em um carro de Fórmula 1 e, de repente, estava competindo pela Williams. Foi um momento complicado, mas talvez seja até melhor não passar meses e meses pensando que você vai disputar uma corrida. Você simplesmente é colocado na situação e precisa seguir em frente”, recordou.
“É uma experiência parecida e que ele precisa aproveitar. Isso vai torná-lo mais forte para o próximo ano. É importante aprender com tudo isso e estar preparado para a próxima temporada”, concluiu.