A presença de Gabriel Bortoleto, Rafael Câmara e Franco Colapinto na Fórmula 1 representa uma oportunidade de inspirar uma nova geração de pilotos sul-americanos. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (5), em Interlagos, os três destacaram a importância de mostrar aos jovens que é possível chegar à principal categoria do automobilismo, apesar das dificuldades financeiras e estruturais enfrentadas por quem inicia a carreira na região.
Questionado sobre como a presença de mais pilotos sul-americanos pode abrir portas para novos talentos, Bortoleto classificou como um "milagre" o fato de o Brasil ter dois representantes no grid diante do aumento dos custos do automobilismo. O brasileiro também ressaltou que a presença de pilotos do país na categoria é importante para manter viva a representatividade nacional, especialmente após a morte de Ayrton Senna.
"É um milagre que, com tudo o que estamos passando agora e há muitos anos no Brasil, sejamos capazes de ter dois pilotos, para ser sincero. Tem sido cada vez mais caro correr no automobilismo, não pelo Brasil em si, mas pelo quanto o esporte está se tornando dispendioso na Fórmula 3, Fórmula 2 e em todas as outras categorias, como o kart", afirmou.
O piloto da Sauber destacou ainda o contato com crianças nas pistas de kart e a importância de servir como referência para quem sonha chegar à Fórmula 1. Para Bortoleto, a presença de brasileiros no grid também pode incentivar empresas nacionais a investirem em jovens talentos.
"Precisamos continuar tendo presença, mesmo que não estejamos vencendo neste momento, mas pelo menos competindo na Fórmula 1, levando nossa bandeira e mostrando à nova geração que, mesmo com todas as dificuldades dos nossos países, ainda é possível chegar ao topo do esporte", acrescentou.
Rafael Câmara concordou com o companheiro brasileiro e afirmou que estar na Fórmula 1 representa uma oportunidade de incentivar crianças a perseguirem seus objetivos. O atual campeão da Fórmula 3 também espera que a presença dos pilotos sul-americanos ajude a revelar novos talentos nas categorias de base.
"É ótimo estar aqui e inspirá-los a seguir seus sonhos. Acho que, na vida, independentemente do que se faça, se você ama o que faz, é possível fazer dar certo. É muito bom estar nesta posição e espero que possamos inspirar os mais jovens a perseguirem seus objetivos, para que um dia haja mais pilotos da América do Sul aqui", declarou.
Colapinto, por sua vez, lembrou das dificuldades que enfrentou no início da carreira e das pessoas que consideravam impossível sua chegada à Fórmula 1. O argentino destacou os sacrifícios necessários para alcançar a categoria e afirmou que a presença de quatro latino-americanos no grid é motivo de orgulho.
"Quando eu era jovem, todos me diziam que era impossível chegar à Fórmula 1, que era preciso muito dinheiro e recursos, que era extremamente difícil vindo de onde viemos. Existem muitos sacrifícios, não apenas nossos, mas também de muitas pessoas que nos apoiam para conseguirmos chegar ao topo deste esporte", afirmou.
O piloto da Alpine também ressaltou o impacto que o contato com os fãs mais jovens pode ter na vida das crianças e defendeu que o automobilismo se torne mais acessível. Colapinto ainda manifestou o desejo de voltar a ver a Argentina receber uma etapa da Fórmula 1.
"É fundamental continuar evoluindo, tornar o esporte mais aberto para as crianças que sonham em estar aqui um dia e, como o Gabi disse, fazer com que os patrocinadores continuem investindo e tornando o projeto interessante para apoiar os jovens, já que é extremamente difícil chegar até mesmo à F4, F3 ou F2 hoje em dia. Por isso, temos que continuar pressionando", concluiu.