Foi divulgado no início de 2026 que a Mercedes está considerando se tornar acionista minoritária da Alpine. Isso seria feito através da compra da participação de 24% que pertence ao grupo de investimento americano Otro Capital. Zak Brown, conhecido por fazer campanha contra a co-propriedade e equipes A/B, emite alerta e acredita que essa mudança não seria boa para a F1.
O CEO da McLaren acredita que a Fórmula 1 estaria cometendo um "erro" se permitisse outra aliança do gênero. Mesmo que tenha ficado claro que, se um acordo for concretizado entre as organizações, a Alpine não se tornará uma equipe júnior da Mercedes, houve discussões para avaliar como ambas poderiam trabalhar mais em conjunto.
Brown, apesar de dizer que tolera a longa relação de propriedade da Red Bull com a equipe Racing Bulls, afirma que seria uma questão completamente diferente quando se trata de permitir que uma nova relação entre duas equipes seja criada.
O norte-americano destacou que, embora tenham existido discussões no âmbito do recente Acordo de Concórdia sobre a possibilidade de a Red Bull ser forçada a se desfazer de uma de suas equipes no futuro, considerar o caminho oposto, abrindo espaço para uma nova fusão, seria algo “ridículo” e prejudicial ao esporte. Ainda assim, ressaltou seu apreço pela contribuição da equipe ao longo dos anos, avaliando que a situação atual é aceitável desde que bem administrada e monitorada. Reforçou também que qualquer expansão nesse modelo representaria um erro para a Fórmula 1.
Ele acredita que existem muitos exemplos na história de como a integridade da F1 foi prejudicada em ocasiões em que as equipes trabalharam mais em conjunto do que deveriam.
"Nos dias de hoje, se isso for permitido, acho que corre um risco muito alto de comprometer a integridade da justiça esportiva", disse Brown. "E o que afastaria os fãs seria se eles não sentissem que existem 11 equipes de corrida independentes."
O CEO da McLaren argumentou citando exemplos, como no GP de Singapura de 2024, quando Daniel Ricciardo (Racing Bulls) tirou a volta mais rápida de Lando Norris; e as violações de propriedade intelectual nos dutos de freio da Racing Point em 2020, na saga da “Mercedes rosa”, devido à semelhança entre os carros das duas equipes.
Brown também apontou que já houve movimentações rápidas de funcionários entre equipes afiliadas que, por conta de compensações financeiras, acabam impactando o limite de custos. Segundo ele, esse tipo de cenário pode gerar vantagens injustas, não só financeiras, mas também esportivas, além de levantar preocupações com a transferência de conhecimento técnico.
"Você consegue imaginar um jogo da Premier League em que dois times pertencem ao mesmo grupo, um vai ser rebaixado se perder, e o outro pode se dar ao luxo de perder?", o norte-americano questionou, referindo-se a situações em que equipes podem manipular resultados para beneficiar o time adversário. "É esse o risco que corremos. Portanto, acho que ter unidades de potência do motor como fornecedoras é o máximo que devemos alcançar."
No entanto, mesmo tendo deixado claro que suas ideias se baseiam no princípio da co-propriedade, não se referindo especificamente ao caso Mercedes/Alpine, Brown foi categórico ao afirmar que não ficaria satisfeito se o projeto fosse adiante. Para ele, esse tipo de estrutura não é saudável para o esporte, mas reforça que não se trata de algo pessoal contra qualquer organização ou indivíduo.
O interesse da Mercedes na Alpine surge em meio à pressão do ex-chefe da Red Bull, Christian Horner, para garantir uma participação minoritária na equipe.
E, apesar do histórico de rivalidade entre Zak Brown e Horner durante as disputas por títulos na F1, o cenário mudou após a demissão do britânico, em meados de 2025. Com o ambiente menos tenso, o CEO da McLaren reconheceu a importância do ex-rival para o esporte e destacou sua trajetória de sucesso à frente da equipe austríaca.
Brown também apontou que, mesmo com as recentes mudanças entre chefes de equipe no grid, profissionais com esse nível de experiência continuam sendo raros, reforçando a expectativa de um possível retorno de Horner ao paddock no futuro, seja em outra equipe ou em um novo projeto dentro da categoria.