Na última sexta-feira (17), Doriane Pin, campeã da F1 Academy em 2025, se juntou à lista de pioneiras e desbravadoras modernas que pilotaram e testaram carros de Fórmula 1. A francesa completou um teste em Silverstone pela Mercedes, e se tornou a primeira mulher a pilotar um carro das Flechas de Prata.
Aos 22 anos, Pin passa a integrar esse grupo seleto que marcou presença na F1, seja disputando um fim de semana oficial ou participando de atividades de teste ao longo da história.
Conheça as 12 mulheres que pilotaram e testaram carros de F1:
Maria Teresa de Filippis
Foi a primeira mulher a competir em uma corrida de Fórmula 1. Maria Teresa de Filippis iniciou sua trajetória no automobilismo com espírito competitivo, depois de vencer uma aposta com seus irmãos, que diziam que ela não conseguiria dirigir rápido.
Começou nas competições aos 22 anos, conquistando um segundo lugar em uma prova local de subida de montanha. Suas performances chamaram a atenção da equipe Maserati, que a contratou como piloto oficial após outro segundo lugar no Campeonato Italiano de Carros Esportivos de 1954.
Na Fórmula 1, De Filippis tentou o GP de Mônaco de 1958, no entanto, acabou não participando da corrida. Dos 31 inscritos, apenas metade conseguiu um tempo bom o suficiente para se classificar, e ela ficou a 5,8 segundos da vaga. Juan Manuel Fangio, amigo da italiana, teria lhe dito: "Você anda muito rápido, corre muitos riscos”.
Três corridas depois, ela fez história ao ser a primeira mulher a largar na categoria, na Bélgica, onde terminou em 10º lugar. De Filippis também disputou os Grandes Prêmios de Portugal e da Itália, mas foi forçada a abandonar ambas as provas devido a problemas no motor.
Após não conseguir se classificar para o Grande Prêmio de Mônaco no ano seguinte e por conta da morte de um colega piloto, De Filippis se afastou das corridas. Porém, ela retornou ao automobilismo em 1979, ingressando no Clube Internacional de Ex-Pilotos de Fórmula 1 e tornando-se vice-presidente da instituição em 1997. Maria Teresa de Filippis faleceu em 2016, aos 89 anos.
Lella Lombardi
A primeira mulher a pontuar na F1, Lella Lombardi surgiu quinze anos depois de De Filippis, assumindo o posto de próxima mulher a competir na categoria. Seu amor pelas corridas surgiu quando dirigia a van de entregas do açougue da família e, desde então, fez seu caminho pelas categorias de base: passou pela Fórmula Monza, Fórmula 3 Italiana e Fórmula 5000.
Na F1, após não conseguir se classificar para o GP da Grã-Bretanha de 1974, ela retornou para o GP da África do Sul de 1975, largou, mas teve que abandonar a prova por conta de um problema no sistema de combustível. Já no GP da Espanha, Lombardi finalizou a corrida em sexto lugar, tornando-se assim a primeira (e, até agora, única) mulher a pontuar na categoria. A italiana também detém o recorde de mulher que mais participou de corridas na Fórmula 1, com 10 aparições, incluindo um sétimo lugar no Grande Prêmio da Alemanha.
Além da F1, Lombardi obteve sucesso em corridas de resistência, incluindo pódios em sua categoria em Le Mans e vitórias nas 6 Horas de Pergusa, Vallelunga e Mugello, antes de fundar a Lombardi Autosport após sua aposentadoria.
Depois de lutar contra um câncer de mama, Lombardi faleceu em 1992, aos 50 anos.
Divina Galica
Além de ser uma das poucas mulheres a participar de um fim de semana de Fórmula 1, Divina Galica também faz parte da lista das oito pessoas que competiram tanto na F1 quanto nos Jogos Olímpicos. Ela representou a equipe britânica no esqui alpino em quatro Olimpíadas de Inverno, sendo capitã da equipe em 1968 e 1972.
Galica competiu na Fórmula 2 após terminar em segundo lugar em uma corrida de carros de celebridades, voltando sua atenção para o automobilismo. Em 1976, tentou se classificar para o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, mas não conseguiu. Essa corrida continua sendo o único fim de semana de Fórmula 1 a contar com mais de uma piloto na lista de inscritos, com Galica e Lombardi competindo juntas.
Posteriormente, Galica tentou novamente a qualificação na Argentina e no Brasil, mas não obteve sucesso em nenhuma das ocasiões.
Desire Wilson
Desire Wilson é a única mulher a vencer uma corrida com um carro de Fórmula 1 no Campeonato Britânico Aurora de 1980, uma série que não fazia parte do campeonato mundial. Ela também tentou se classificar para o GP da Grã-Bretanha do mesmo ano, mas por pouco não conseguiu.
Mais tarde, a sul-africana disputou o GP da África do Sul de 1981, que não valia pontos para o Campeonato Mundial e que acabou sendo sua última aparição na Fórmula 1.
Wilson teve uma carreira internacional diversificada em carros esportivos e no Campeonato IMSA GT, além de ter feito três tentativas de se classificar para as 500 Milhas de Indianápolis.
Giovanna Amati
A última mulher a competir em um Grande Prêmio, Giovanna Amati frequentou uma escola de pilotagem e começou a competir profissionalmente na série Fórmula Abarth de 1981. Progredindo na hierarquia dos monopostos, ela competiu na Fórmula 3 Italiana em 1986, onde conquistou uma vitória.
Realizou um teste com a equipe Benetton na Fórmula 1 em 1991, garantindo uma vaga na Brabham no ano seguinte. Sem sucesso em suas três tentativas de se classificar para os Grandes Prêmios da África do Sul, México e Brasil, sua vaga foi dada a Damon Hill.
Amati continuou competindo após a Fórmula 1, vencendo o Campeonato Europeu Feminino de 1993 na Porsche SuperCup e participando do Ferrari Challenge e das 12 Horas de Sebring de 1998.
Katherine Legge
Com apenas uma breve aparição no volante de um carro de F1, Katherine Legge testou para a Minardi em Vallelunga. Apesar de a piloto ter rodado após duas voltas em sua primeira tentativa, ela retornou à pista no dia seguinte e completou 27 voltas.
Desde então, a britânica se tornou uma das pilotos mais reconhecidas, mesmo sem chegar à F1. Construiu uma carreira de sucesso nos Estados Unidos, onde pontuou na IndyCar e se classificou para as 500 Milhas de Indianápolis em 2023 e 2024, detendo o recorde de classificação mais rápida por uma mulher.
Maria de Villota
Maria de Villota pilotou um carro de Fórmula 1 pela primeira vez em 2011, com o Renault R29 no Circuito Paul Ricard. No ano seguinte, foi contratada pela equipe Marussia como piloto de testes na temporada de 2012.
Durante um teste em linha reta naquele ano, a espanhola sofreu um grave acidente no Aeródromo de Duxford, que resultou na perda do olho direito. Em 2013, De Villota faleceu tragicamente aos 34 anos. Carlos Sainz Jr., mentorado pela piloto na adolescência, a homenageia com uma estrela na parte de trás de seu capacete até hoje.
Susie Wolff
A diretora da F1 Academy, Susie Wolff, se tornou piloto de desenvolvimento e testes da Williams em 2012, após seis temporadas na DTM. Em 2014, participou de seu primeiro treino livre, no GP da Grã-Bretanha, marcando a primeira aparição de uma mulher em uma sessão oficial de Fórmula 1 em mais de duas décadas.
Ela participou de mais três sessões de TL1 pela Williams ao longo de sua trajetória na equipe: na Alemanha, Espanha e outra vez na Grã-Bretanha. Assumiu um papel mais importante como piloto de testes em 2015, aposentando-se no final da temporada e fundando a Dare to be Different, com o objetivo de aumentar a participação feminina no automobilismo.
Wolff também se tornou chefe de equipe na Fórmula E pela Venturi Racing entre 2018 e 2022 e, em 2023, foi nomeada Diretora Executiva da F1 Academy. Desempenhou um papel fundamental na inclusão de todas as equipes e pinturas da F1 ao grid da categoria.
Simona de Silvestro
Piloto consagrada da IndyCar, Simona de Silvestro se juntou à Sauber como afiliada em 2014. Com a equipe, teve seu primeiro teste na F1, em Fiorano, ao completar 112 voltas com o C31.
A suíça-italiana posteriormente voltou à IndyCar e teve passagens pela Fórmula E e pelo Campeonato de Supercarros. Mais recentemente, De Silvestro adicionou os esportes de inverno ao seu currículo, competindo no monobob nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Tatiana Calderón
Considerada pioneira entre mulheres nas categorias de base do automobilismo, Tatiana Calderón abriu portas para outras pilotos. Foi a primeira mulher a subir ao pódio na Fórmula 3 Britânica e a liderar uma volta na Fórmula 3 Europeia, além de acumular aparições em outras competições de base.
Em 2017, a colombiana foi contratada pela Sauber como piloto de desenvolvimento e promovida a piloto de testes no ano seguinte. Testando carros de F1 em mais de uma oportunidade em 2018, ela pilotou o C37 no Autódromo Hermanos Rodríguez, além de completar uma sessão de dois dias um mês depois, pilotando o C32 de 2013.
Após a mudança de nome para Alfa Romeo, em 2019, Calderón foi mantida, conseguindo uma vaga na Fórmula 2 e se tornando a primeira mulher a pilotar na categoria. Desde então, ela competiu na Super Fórmula, no Campeonato Mundial de Endurance (WEC), na IndyCar e no Campeonato IMSA de Carros Esportivos.
Jessica Hawkins
Em 2021, a Aston Martin contratou Jessica Hawkins como embaixadora da marca, quando a piloto competia em sua segunda temporada na W Series. Em 2023, ela testou o AMR21 em Hungaroring, completando 26 voltas.
Seu papel dentro da equipe se expandiu, e Hawkins agora atua como mentora e líder do programa da Aston Martin na F1 Academy. Além do automobilismo, Hawkins também trabalhou como dublê.
Doriane Pin
A mais recente adição à lista de mulheres a pilotar carros de F1, Doriane Pin começou a se destacar nas corridas de GT ao conquistar o título do Ferrari Challenge Europe em 2022. Em seguida, migrou para as corridas de endurance na European Le Mans Series e no Campeonato Mundial de Endurance (WEC), sendo a primeira mulher a ganhar o prêmio de Revelação do Ano do WEC em 2023.
Sua transição nas competições de monopostos aconteceu em 2024, quando Pin foi selecionada para representar a Mercedes na F1 Academy. Terminando em segundo lugar em sua temporada de estreia, a francesa conquistou o título na sua segunda tentativa, no ano seguinte.
Em 2026, tornou-se piloto de desenvolvimento da Mercedes após fazer parte do programa júnior da equipe. Recentemente, a jovem de 22 anos alcançou mais um marco ao testar o W12 de 2021 em Silverstone. Pin é a primeira mulher a pilotar um carro da Mercedes na Fórmula 1.
Nesta temporada, a francesa está competindo na European Le Mans Series com a equipe Duqueine, já conquistando um pódio na etapa de abertura. Ela também disputará as 24 Horas de Le Mans, além de atuar como piloto de desenvolvimento da equipe de hypercars da Peugeot.