O CEO da Fórmula E, Jeff Dodds, manifestou forte apoio à Fórmula 1 em meio às críticas sobre o novo e polêmico regulamento técnico de 2026. Em recente encontro com a imprensa, o executivo destacou que a transição da F1 para unidades de potência com maior foco elétrico está aproximando as duas categorias, gerando um intercâmbio valioso de tecnologias e pilotos, além de ressaltar que o sucesso da principal categoria do mundo é fundamental para a saúde de todo o esporte a motor.
O novo conjunto de regras da Fórmula 1 para 2026, que determina uma divisão de 50% de potência elétrica e 50% a combustão, alterou a dinâmica do paddock e fez as equipes olharem com atenção para a expertise desenvolvida na Fórmula E. Segundo Jeff Dodds, essa mudança de paradigma não atraiu apenas o interesse técnico de chefes de equipe e pilotos da F1 em relação ao novo carro GEN4 da categoria elétrica, mas também abriu portas diretas para os pilotos da FE.
Atualmente, estima-se que 10 pilotos do grid da Fórmula E estejam colaborando ativamente com times da F1 nos simuladores. Nomes de peso já estão confirmados nos bastidores do desenvolvimento: Norman Nato trabalha com a Ferrari, Jake Dennis com a Red Bull, Nyck de Vries atua pela McLaren e Nick Cassidy estaria ligado à Mercedes, juntamente com outros seis pilotos ajudando as equipes a compreenderem a nova realidade eletrificada.
Apesar dessa empolgação tecnológica, as regras de 2026 da F1 têm sido alvo de duras críticas por parte de fãs e membros do paddock. O fenômeno do "super clipping" (a perda abrupta de potência elétrica nas retas) já causou dores de cabeça, exemplificadas pelo recente incidente no GP do Japão envolvendo Franco Colapinto, da Alpine, e Oliver Bearman, da Haas. Mudanças e ajustes já estão previstos para etapas futuras, como Miami, mas Dodds pede paciência com a F1.
"Eles estão entrando em um novo ciclo regulamentar, assim como nós fizemos com o GEN3 e agora com o GEN4", explicou o CEO da Fórmula E. "É preciso tempo para colocar um carro novo e um novo formato na pista. Acho que as pessoas estão sendo muito duras no julgamento prematuro da temporada da F1. O simples fato de estarmos discutindo mais sobre corridas elétricas, baterias e regeneração de energia na pista já é muito positivo para nós."
Em sua visão, não existe rivalidade predatória quando se trata da popularidade das categorias administradas pela FIA. Pelo contrário, Dodds foi enfático ao defender que o êxito da Fórmula 1 reverbera em todo o cenário das corridas.
"Uma F1 que tem sucesso é uma ótima coisa para todo o automobilismo", concluiu o executivo. "Uma F1 que vai bem e onde tudo procede como o planejado traz mais fãs, mais espectadores e mais interesse para o automobilismo de forma geral. Portanto, nós queremos muito que a F1 tenha sucesso."