Fórmula E e Heron Preston unem moda, automobilismo e sustentabilidade em parceria inédita

Categoria e designer apostam em materiais reaproveitados para aproximar o esporte a motor de novos públicos

28 set 2026 - 12h21
Heron Preston, designer norte-americano que se une à Fórmula E em parceria que conecta moda, automobilismo e sustentabilidade
Heron Preston, designer norte-americano que se une à Fórmula E em parceria que conecta moda, automobilismo e sustentabilidade
Foto: Divulgação / Fórmula E

Nesta segunda-feira, 28, a Fórmula E anunciou uma parceria criativa com o designer norte-americano Heron Preston para explorar a relação entre automobilismo, moda e sustentabilidade. A colaboração será apresentada oficialmente durante a ComplexCon Los Angeles e prevê o desenvolvimento de produtos a partir de materiais reaproveitados.

A iniciativa parte de uma aproximação entre duas formas diferentes de reutilização. Enquanto Preston trabalha com materiais recuperados para transformá-los em peças de vestuário, a Fórmula E utiliza a energia recuperada pela frenagem regenerativa para alimentar o desempenho dos carros elétricos.

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A colaboração também aposta no conceito eX-Ray, desenvolvido pelo designer para analisar não apenas o produto final, mas os materiais, processos e pessoas envolvidos em sua produção. Para a parceria com a categoria elétrica, a proposta inclui o uso de algodão reciclado produzido a partir de sobras industriais e resíduos de fábricas, que são separados, triturados e transformados novamente em fios.

Para Nick Vaz, criador de conteúdo sobre moda e automobilismo, colocar sustentabilidade e reaproveitamento no centro da parceria é uma extensão natural da própria Fórmula E. “A categoria já nasceu com sustentabilidade no DNA”, afirma.

Segundo Vaz, a relação com a moda não exige que a categoria construa uma nova narrativa para abordar o tema, já que a sustentabilidade faz parte de sua identidade. “Você não precisa ‘encaixar’ sustentabilidade numa narrativa que não é sua, ela já está lá”, explica.

A avaliação também se aplica aos produtos que podem surgir da colaboração entre a categoria e Preston. “Qualquer criação que resultar dessa parceria, seja uma peça de roupa, um acessório, uma coleção inteira, já vai refletir isso naturalmente, porque é assim que a categoria funciona”, completa.

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A aproximação entre automobilismo e moda não é inédita. Equipes, pilotos e categorias utilizam há décadas roupas, acessórios e outros produtos como ferramentas de identidade e relacionamento com o público. Neste caso, porém, a proposta coloca a origem e o reaproveitamento dos materiais no centro dessa relação.

Além das peças de vestuário, a parceria terá como destaque um carro da nova geração da Fórmula E com uma pintura exclusiva desenvolvida por Preston. Segundo a categoria, o GEN4 foi projetado para ser 100% reciclável ou reutilizável, com pelo menos 20% de materiais reciclados em componentes importantes.

Para além da estética, a iniciativa também levanta uma discussão sobre o papel da sustentabilidade na construção da imagem do automobilismo. A Fórmula E utiliza a eficiência energética, a inovação tecnológica e a redução do impacto ambiental como elementos centrais de sua identidade desde a criação do campeonato.

O risco de a sustentabilidade ser utilizada apenas como ferramenta de branding, no entanto, também faz parte da discussão. Para o criador de conteúdo, a preocupação é legítima, mas o histórico da categoria e o trabalho desenvolvido por Preston ajudam a contextualizar a parceria.

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“Quando você olha o histórico da categoria e o trabalho do Heron Preston, que já tem toda uma trajetória real com reaproveitamento de materiais, eu acredito que essa parceria é mais uma extensão de uma conversa que os dois já estão tendo separadamente”, afirma.

Em sua avaliação, a moda pode transformar conceitos ligados à sustentabilidade em algo presente no cotidiano. “O que a moda faz nesse caso é tornar tangível a sustentabilidade que a Fórmula E traz para a pista”, explica.

A lógica, segundo ele, é transportar práticas como o reaproveitamento de materiais e a consciência ambiental para produtos que possam fazer parte da rotina do público. “Você pega um conceito que acontece no automobilismo, o reaproveitamento, a consciência ambiental e transforma numa peça que alguém vai vestir no dia a dia. E aí acontece algo poderoso: você está carregando essa mensagem”, completa.

A escolha da ComplexCon para apresentar a parceria também reforça a tentativa de levar a Fórmula E para além do público tradicional do automobilismo. O evento reúne comunidades ligadas à moda, aos tênis, à arte, à música e à inovação, criando uma ponte entre a categoria e outros espaços da cultura contemporânea.

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A colaboração prevê ainda um projeto de longo prazo que pode incluir produtos de performance, peças de moda, acessórios, itens para fãs e materiais reaproveitados provenientes do próprio esporte. A proposta é encontrar novas utilizações para componentes e materiais depois de seu uso nas corridas.

Para Vaz, a iniciativa também acompanha uma mudança na maneira como públicos mais jovens se relacionam com o esporte. “A nova geração consome de um jeito diferente, muito mais cultural, e tem uma preocupação genuína com o que consome e de onde vem”, afirma.

Nesse cenário, a moda passa a funcionar como uma ferramenta de identificação com o automobilismo. Para o criador de conteúdo, permitir que o público não apenas assista às corridas, mas também vista e incorpore elementos ligados ao esporte amplia a relação com as categorias.

“A Fórmula 1 vem fazendo isso muito bem desde a entrada da Netflix com o Drive to Survive, e agora com a chegada da Fórmula E na Disney Plus. Você atrai mais gente, evidencia histórias, cria conexão emocional”, analisa.

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Nick ressalta, porém, que o conteúdo produzido para aproximar novos públicos não deve ser confundido automaticamente com um retrato fiel do esporte. “A gente não pode se deixar levar completamente pelo que é retratado, porque nem sempre é fidedigno ao que acontece de verdade”, afirma.

Para ele, ainda assim, o movimento revela uma mudança na forma de consumir esporte. “Essa geração procura um novo jeito de consumir esporte, e o automobilismo está respondendo a isso”, completa.

A moda também aparece como uma das portas de entrada para esse público. Ele cita pesquisas divulgadas pela McLaren que, segundo ele, apontam para uma atenção maior dos jovens aos pilotos, às roupas utilizadas por eles e à possibilidade de expressar essa identificação por meio do próprio estilo.

“Moda virou uma porta de entrada para o esporte. Então eu acredito que esse é um movimento que vai acabar escorrendo para todas as categorias do automobilismo”, afirma.

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A parceria entre Fórmula E e Heron Preston se insere, assim, em um movimento que aproxima o automobilismo de territórios tradicionalmente associados à cultura e ao comportamento. Mais do que criar uma coleção, a iniciativa busca levar para fora das pistas conceitos que já fazem parte da identidade da categoria, enquanto utiliza a moda como uma nova forma de conexão com o público.

“É muito legal ver a Fórmula E fazendo isso de uma maneira tão pensada, tão alinhada com os reflexos de comportamento dessa geração”, completa o influenciador.

Segundo Heron Preston, a parceria busca repensar o que a moda do automobilismo pode representar e explorar novas possibilidades para materiais e processos. Já Ellie Norman, diretora de marketing da Fórmula E, afirmou que a colaboração pretende desenvolver uma abordagem mais criteriosa para os produtos utilizados pelo público da categoria.

A parceria será apresentada na ComplexCon Los Angeles nos dias 3 e 4 de outubro, no Los Angeles Convention Center.

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