A introdução dos carros GEN4 promete transformar a Fórmula E dentro e fora das pistas. Com mais potência, aceleração superior e mudanças significativas na dinâmica de pilotagem, a nova geração de monopostos é vista por Felipe Drugovich como uma oportunidade para ampliar o alcance da categoria e atrair profissionais de outras competições. O brasileiro, que se prepara para sua segunda temporada pela Andretti, acredita que as novidades previstas para 2026/27 podem representar um importante avanço para o campeonato.
Em entrevista aos jornalistas Sérgio Siverly e Lito Cavalcanti, do podcast Boteco F1, divulgada nesta quarta-feira (28), Drugovich demonstrou entusiasmo com o desenvolvimento do novo carro. Para o piloto, as mudanças representam uma evolução necessária para tornar a Fórmula E mais atrativa tanto para os competidores quanto para os espectadores.
"[O GEN4] É um passo à frente gigantesco para a Fórmula E, algo que realmente a Fórmula precisava, então todo mundo está muito contente [com os testes de desenvolvimento], as equipes queriam algo que fosse mais legal de trabalhar, os pilotos nem se fala", afirmou.
A avaliação do brasileiro ocorre em um momento de mudanças importantes para o campeonato. Além da estreia dos novos monopostos, a temporada 2026/27 contará com um calendário recorde de 21 corridas, a inclusão de circuitos tradicionais e novidades na distribuição das transmissões.
Mais potência e uma nova experiência de pilotagem
Considerado o carro mais rápido da história da Fórmula E, o GEN4 representa um salto significativo em relação às gerações anteriores. O monoposto poderá atingir 600 kW de potência, aproximadamente 815 cavalos, durante as classificações e no Modo Ataque.
Os números de desempenho também chamam a atenção. Segundo as especificações divulgadas pela categoria, o carro será capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente 1,8 segundo e alcançar os 200 km/h em 4,4 segundos, além de ultrapassar a velocidade máxima de 335 km/h.
Outra mudança importante será a adoção da tração integral permanente e ativa, característica que deverá alterar o comportamento dos carros e a maneira como os pilotos exploram seus limites.
Para o piloto da Andretti, essas transformações poderão tornar a pilotagem mais natural para profissionais acostumados a outras categorias de monopostos, como a Fórmula 2 e a Fórmula 1.
A expectativa é que a combinação entre maior potência, velocidade e novas características de condução contribua para aproximar a experiência da Fórmula E daquela encontrada em outras competições internacionais.
Entretanto, o desempenho superior também representa novos desafios. Equipes e pilotos precisarão adaptar estratégias, procedimentos técnicos e gerenciamento de energia às características do GEN4, especialmente em um campeonato no qual a eficiência energética continua sendo determinante para os resultados.
Fórmula E busca ampliar sua presença no automobilismo
O entusiasmo do companheiro de Jake Dennis não está limitado ao desempenho dos novos carros. O brasileiro também acredita que as mudanças no calendário e nas transmissões poderão contribuir para ampliar o interesse do público pela Fórmula E.
Entre as novidades previstas para a próxima temporada estão corridas em circuitos tradicionais, como Brands Hatch, no Reino Unido, Zandvoort, nos Países Baixos, e o Circuito das Américas, nos Estados Unidos.
A presença nessas pistas representa uma mudança importante para uma categoria historicamente associada aos circuitos urbanos. Embora as corridas de rua continuem fazendo parte de sua identidade, a expansão para autódromos tradicionais poderá oferecer novas possibilidades de disputa e aproximar o campeonato de espectadores familiarizados com outras modalidades do automobilismo.
"Acredito que o público vai gostar muito, estou confiante que a Fórmula E vai crescer demais, não só pela mudança do carro [para o GEN4], mas pelas novidades de transmissão, o modo como a categoria vai operar, a gente indo correr em circuitos maiores, vai ser também um tipo de corrida mais legal de assistir", avaliou Drugovich.
A ampliação da distribuição internacional das transmissões, incluindo a presença da categoria no Disney+, também integra essa estratégia de crescimento.
No entanto, transformar o aumento de desempenho em maior audiência será um desafio que ultrapassa as características técnicas dos monopostos. A capacidade de atrair novos espectadores dependerá também da acessibilidade das transmissões, da divulgação do campeonato e da qualidade das disputas apresentadas ao longo da temporada.
Paranaense inicia nova fase com a Andretti
Para Felipe Drugovich, a chegada do GEN4 também coincide com uma mudança importante dentro da própria equipe. Na temporada 2026/27, a Andretti passará a utilizar unidades de potência totalmente elétricas fornecidas pela Nissan.
A parceria técnica coloca o brasileiro diante de um novo processo de desenvolvimento, em um campeonato que exigirá adaptação simultânea de pilotos, engenheiros e fabricantes.
O período de preparação será especialmente importante para compreender as características dos novos carros e estabelecer uma base competitiva para a temporada.
A experiência do piloto em outras categorias de monopostos também poderá contribuir para esse processo. Campeão da Fórmula 2 em 2022, o brasileiro construiu parte de sua trajetória no ambiente da Fórmula 1 antes de encontrar na Fórmula E uma oportunidade para disputar regularmente um campeonato mundial.
Agora, com a introdução do GEN4, o piloto terá a possibilidade de participar diretamente de uma das maiores transformações técnicas da história da competição.
São Paulo receberá nova geração em março
O público brasileiro também terá a oportunidade de acompanhar os novos carros em ação. O E-Prix de São Paulo está previsto para 13 de março de 2027, integrando o calendário da 13ª temporada da Fórmula E.
A etapa será uma das 21 corridas programadas para o campeonato, que pretende consolidar sua expansão internacional com a chegada do GEN4.
Para Felipe, a combinação entre evolução tecnológica, novos circuitos e maior visibilidade poderá representar um ponto de virada na trajetória da categoria.
A expectativa, entretanto, ainda precisará ser confirmada nas pistas. Embora os números indiquem um avanço expressivo em desempenho, será a capacidade de transformar essa evolução em corridas competitivas e interessantes que determinará o impacto da nova geração sobre o público.
Mais do que apresentar carros rápidos, a Fórmula E terá o desafio de demonstrar que a transformação tecnológica pode fortalecer sua identidade esportiva e ampliar seu espaço no automobilismo mundial.