'É impossível ultrapassar': GP da Espanha foi o mais chato do ano na F1 e gera incômodo

O novo circuito foi alvo de críticas dos pilotos e das equipes após a corrida

14 set 2026 - 09h38
(atualizado às 18h24)
Resumo
A estreia do GP da Espanha em Madri gerou forte insatisfação na Fórmula 1 devido à extrema escassez de ultrapassagens, registrando apenas quatro manobras após a largada. Vencedor da prova, Kimi Antonelli, ao lado de pilotos como Gabriel Bortoleto e Max Verstappen, além de chefes de equipe, criticou o traçado por torná-la monótona e perigosa para manobras. Diante das queixas e com contrato de dez anos, a organização e a FIA já avaliam reformulações na pista para as próximas edições da corrida.

Estreante no calendário da Fórmula 1, o Grande Prêmio da Espanha, realizado no último fim de semana, foi cercado de expectativas por seu nível de dificuldade. Porém, dentro das pistas, a etapa deixou uma impressão diferente e gerou reclamações de pilotos e equipes, principalmente pela dificuldade para realizar ultrapassagens.

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O vencedor da corrida, o italiano Kimi Antonelli, da Mercedes, avaliou que o traçado não estimula os pilotos a tentarem manobras para ganhar posições. Segundo o líder do campeonato, qualquer tentativa um pouco mais arriscada pode resultar em uma colisão.

"Há algumas curvas que precisam ser alteradas para criar mais oportunidades de ultrapassagem, porque é bom em uma volta, mas na corrida você fica preso atrás", disse Antonelli.

O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi, também não poupou críticas ao circuito. Após a corrida, o piloto classificou a prova como "chata" e destacou a falta de movimentação durante as voltas.

"Foi uma corrida chata. Foi chato para vocês também vendo a corrida? Para a gente foi a mesma coisa lá dentro, não teve muita movimentação, nem ultrapassagem", avaliou Bortoleto, em entrevista ao ge.

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O tema das ultrapassagens foi o principal motivo de reclamação após o GP da Espanha. De acordo com dados compilados por u/BuxtonEU e compartilhados no Reddit, o GP de Madrid registrou exatamente quatro ultrapassagens na pista depois da primeira volta.

Ainda segundo o levantamento, a média de ultrapassagens antes da chegada da temporada a Madri era de 61 por corrida. Em 2026, o líder desse ranking é o Grande Prêmio da China, com 101 ultrapassagens, seguido por Miami, com 88, e Japão, com 85. Até mesmo Mônaco, um circuito amplamente criticado por ser estreito e oferecer poucas oportunidades de ultrapassagem, registrou dez, mais que o dobre que a Espanha.

O chefe da McLaren, Andrea Stella, também demonstrou preocupação com o traçado e deixou claro que espera que possíveis mudanças sejam consideradas para as próximas edições da prova.

"É uma pena que seja tão difícil. É preciso uma diferença de tempo de volta muito grande para conseguir ultrapassar", afirmou Stella.

O dirigente também explicou que, apesar de a reta ter extensão suficiente, o desenho da pista dificulta que dois carros entrem lado a lado nas curvas: "Neste momento, a reta pode até ser longa o suficiente, mas não há absolutamente nenhuma maneira de os dois carros entrarem na curva juntos. É praticamente impossível tentar ultrapassar", completou.

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Madring é um circuito híbrido que combina trechos em vias públicas com setores construídos especificamente para a Fórmula 1. O local possui um contrato de dez anos para receber o Grande Prêmio da Espanha.

Antes mesmo da realização do evento, Max Verstappen já havia feito críticas ao novo circuito. Após a corrida, o holandês voltou a demonstrar sua insatisfação com a dificuldade para ultrapassar: "Se você ficar um pouco no meio da pista, não consegue ultrapassar."

Apesar das reclamações, o traçado ainda pode passar por mudanças para a próxima temporada. O chefe da Mercedes, Toto Wolff, revelou que discussões sobre alterações já aconteciam antes mesmo da realização da primeira corrida.

"A parte complicada é criar uma pista espetacular para os pilotos e, ao mesmo tempo, construí-la de forma a permitir muitas ultrapassagens", disse Wolff.

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"Conversei (no sábado) com o CEO do circuito e eles estão totalmente abertos à ideia para o ano que vem", completou o dirigente.

Dirigente da etapa comenta sobre situação do GP

Após o fim da etapa neste domingo, em entrevista ao Motorsport, o diretor da prova, Luis Garcia Abad comentou sobre a situação do GP da Espanha e dos problemas identificados no circuito.

"Para ser sincero, a FIA definiu claramente qual é a maneira de melhorar o traçado da pista, e estaremos abertos a isso, pois teremos que refazer a pista para o próximo ano", afirmou.

A corrida do último fim de semana abriu o contrato de dez anos do circuito de Madring com a Fórmula 1. Como a metade norte da pista está sendo construída do zero em um terreno ainda sem ocupação, Abad vê margem para mudanças significativas no traçado e afirma que a estrutura permite realizar as intervenções necessárias.

"Temos o espaço, temos o local, temos as instalações, temos a capacidade para fazer isso", prometeu o diretor-geral. Segundo ele, FOM, FIA e organização do GP vão trabalhar em conjunto para buscar melhorias no circuito.

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