Após a dívida da reforma da Arena da Baixada atingir R$ 1,2 bilhão, o Athletico-PR firmou um acordo com a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Paraná que reduziu o passivo para cerca de R$ 600 milhões, parcelados em 15 anos. Com pagamentos em dia, o clube já quitou R$ 241,3 milhões e estuda usar precatórios e valores de naming rights para honrar as próximas parcelas, garantindo a estabilidade orçamentária.
A dívida do Athletico-PR pela reforma da Arena da Baixada para a Copa de 2014 chegou a cerca de R$ 1,2 bilhão antes de uma nova negociação reorganizar o passivo, segundo o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que representa o clube no caso.
A Agência RTI Esporte apurou que a renegociação redimensionou o passivo do Athletico-PR, após anos de impasses sobre os custos da obra e a divisão das responsabilidades, e estabeleceu um pagamento de longo prazo.
Segundo Luiz Fernando Casagrande Pereira, o acordo fixou o passivo em cerca de R$ 600 milhões, além de aproximadamente R$ 100 milhões envolvendo Curitiba e o Athletico-PR, com participação do Governo do Paraná.
Reforma para a Copa do Mundo aumentou a obrigação
A Arena da Baixada foi modernizada para receber partidas da Copa do Mundo de 2014. O aumento das despesas da obra, porém, provocou discussões sobre quem deveria assumir os custos e como os pagamentos seriam realizados.
O acordo original envolvia Athletico-PR, Prefeitura de Curitiba e Governo do Paraná. Ao longo dos anos, a atualização dos valores e os entraves jurídicos fizeram o passivo crescer, ampliando a dimensão da disputa financeira.
O cenário começou a mudar em novembro de 2022. Um documento assinado pelo então prefeito Rafael Greca e pelo presidente Mario Celso Petraglia abriu caminho para uma nova estrutura de pagamento e para a reorganização das obrigações.
Athletico-PR já pagou R$ 241,3 milhões
Desde a renegociação, o Athletico-PR já desembolsou R$ 241,3 milhões entre entrada, parcelas e honorários advocatícios. O primeiro pagamento foi de R$ 50 milhões em 2023. Em 2024, por exemplo, o clube pagou R$ 67,6 milhões.
No ano seguinte, foram R$ 67,5 milhões e, em 2026, R$ 40,7 milhões, além de R$ 23,4 milhões em honorários. Segundo Luiz Fernando Casagrande Pereira, os compromissos da renegociação estão sendo pagos dentro dos prazos.
A dívida do clube paranaense foi dividida em 15 parcelas anuais decrescentes, de cerca de R$ 62 milhões. Desse valor, aproximadamente R$ 20 milhões estão vinculados ao potencial construtivo do estádio rubro-negro.
Clube ainda busca alternativas para a Arena da Baixada
Apesar da reorganização, o Athletico-PR ainda precisa administrar alguns pontos relacionados ao acordo. A comercialização do potencial construtivo depende das condições do mercado, o que pode exigir alternativas para garantir maior previsibilidade aos pagamentos futuros.
Uma das possibilidades discutidas envolve a utilização de precatórios em substituição ao potencial construtivo do estádio. A medida poderia dar maior segurança à estrutura financeira das próximas parcelas.
O clube também espera receber mais de R$ 26 milhões relacionados à antiga operação de naming rights da Arena. Segundo o advogado, os recursos podem ajudar no pagamento da próxima parcela prevista no acordo.
Segundo Luiz Fernando Casagrande Pereira, a dívida está equacionada no orçamento do Athletico-PR. O passivo de R$ 1,2 bilhão foi reorganizado, com parcelas anuais definidas e mais de R$ 240 milhões já pagos.