Agência cria painel e expõe quase R$ 20 bi em dívidas de clubes

Relatório oficial mostra Atlético-MG, Corinthians e Botafogo na ponta da lista e impõe prazo para evitar punições severas

21 out 2026 - 21h25
(atualizado às 21h25)
Resumo
Um painel da Anresf revelou que os clubes das Séries A e B somam R$ 19,99 bilhões em dívidas, com a Série A concentrando R$ 17,34 bilhões. Atlético-MG (R$ 2,66 bi), Corinthians (R$ 2,08 bi) e Botafogo (R$ 1,78 bi) lideram o passivo. Apenas 15 dos 40 times estão totalmente em dia, e inadimplentes como Grêmio e São Paulo têm 45 dias para quitar débitos sob risco de bloqueio de reforços. As regras de Fair Play Financeiro preveem punições mais duras a partir de novembro, gerando pressão de dirigentes por adiamento.
De acordo com Rubens Menin, Atlético teria reformulação em 2026 –
De acordo com Rubens Menin, Atlético teria reformulação em 2026 –
Foto: Divulgação/Atlético / Jogada10

A fim de entender o endividamento do futebol brasileiro, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf) lançou uma plataforma digital com dados consolidados sobre os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Em resumo, o levantamento oficial apontou que as 40 equipes das duas principais divisões nacionais acumularam um passivo conjunto de R$ 19,99 bilhões ao término do exercício financeiro.

Além disso, o órgão regulador atualizou a metodologia de cálculo para desconsiderar adiantamentos de receitas e focar exclusivamente nas obrigações financeiras reais de desembolso futuro. Com isso, os clubes da elite brasileira concentram a maior fatia do montante devedor com R$ 17,34 bilhões, enquanto os participantes da segunda divisão somam pendências de R$ 2,65 bilhões.

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O ranking dos maiores passivos é liderado pelo Atlético-MG, pois registrou obrigações na ordem de R$ 2,66 bilhões nos balanços auditados. Logo em seguida no levantamento aparecem Corinthians, com passivo apurado em R$ 2,08 bilhões, e Botafogo, que computou débitos consolidados de R$ 1,78 bilhão.

De acordo com Rubens Menin, Atlético teria reformulação em 2026 –
Foto: Divulgação/Atlético / Jogada10

Afinal, existem clubes com pagamentos sem atrasos?

De fato, o monitoramento bimestral da entidade identificou que somente 15 das 40 agremiações atestaram ausência de débitos vencidos em folhas salariais, impostos ou transferências até o fechamento de junho. Aliás, na Série A, apenas Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino comprovaram situação de adimplência irrestrita perante a fiscalização.

Contudo, a autoridade regulatória impôs prazos rígidos de 45 dias para que equipes em atraso sanem débitos contraídos ao longo da atual temporada. Por essa razão, clubes tradicionais do futebol brasileiro como Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo receberam notificações formais sob ameaça iminente de sofrerem bloqueios de registro de reforços.

A saber, a normativa do Fair Play Financeiro nacional prevê sanções disciplinares mais duras a partir de novembro para passivos acumulados em anos anteriores. Sem dúvida, a movimentação dos bastidores gerou forte articulação dos dirigentes esportivos para tentar adiar o início dessa exigência punitiva para o ciclo entre 2027 e 2028.

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Presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap busca transparência como resultado de sua gestão –
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo / Jogada10

Ranking dos 40 clubes das Séries A e B conforme levantamento da Anresf

Por outro lado, agremiações com receitas mais modestas demonstraram gestão fiscal equilibrada e encerraram o ciclo contábil com dívidas residuais no mercado. O Mirassol apresentou o menor endividamento entre os times da divisão de elite com R$ 7,4 milhões, enquanto o CRB registrou pendências totais de R$ 900 mil na Série B.

Assim, o mecanismo de transparência financeira estabelece um novo divisor de águas na governança das agremiações esportivas do país. Dessa maneira, a regularização dos fluxos de caixa tornou-se requisito inegociável para garantir a competitividade dentro de campo sem colocar em risco a viabilidade institucional.

Raio-X Financeiro

Ranking das Maiores Dívidas do Futebol Brasileiro

Posição & Clube

Passivo Total

  1. 1º Atlético-MG

    R$ 2,66 bilhões

  2. 2º Corinthians

    R$ 2,08 bilhões

  3. 3º Botafogo

    R$ 1,78 bilhão

  4. 4º Cruzeiro

    R$ 1,28 bilhão

  5. 5º Palmeiras

    R$ 1,13 bilhão

  6. 6º Internacional

    R$ 1,05 bilhão

  7. 7º Fluminense

    R$ 1,04 bilhão

  8. 8º Santos

    R$ 999 milhões

  9. 9º Vasco

    R$ 963 milhões

  10. 10º Flamengo

    R$ 950 milhões

  11. 11º São Paulo

    R$ 917 milhões

  12. 12º Grêmio

    R$ 811 milhões

  13. 13º Red Bull Bragantino

    R$ 727 milhões

  14. 14º Athletico-PR

    R$ 374 milhões

  15. 15º Bahia

    R$ 357 milhões

  16. 16º Sport

    R$ 324 milhões

  17. 17º Náutico

    R$ 291 milhões

  18. 18º Vitória

    R$ 288 milhões

  19. 19º Fortaleza

    R$ 276 milhões

  20. 20º Avaí

    R$ 266 milhões

  21. 21º Ponte Preta

    R$ 235 milhões

  22. 22º Ceará

    R$ 217 milhões

  23. 23º América-MG

    R$ 182 milhões

  24. 24º Chapecoense

    R$ 171 milhões

  25. 25º Novorizontino

    R$ 167 milhões

  26. 26º Coritiba

    R$ 155 milhões

  27. 27º Vila Nova

    R$ 155 milhões

  28. 28º Goiás

    R$ 114 milhões

  29. 29º Botafogo-SP

    R$ 89 milhões

  30. 30º São Bernardo

    R$ 77 milhões

  31. 31º Athletic Club

    R$ 72 milhões

  32. 32º Londrina

    R$ 44 milhões

  33. 33º Atlético-GO

    R$ 42 milhões

  34. 34º Cuiabá

    R$ 40 milhões

  35. 35º Remo

    R$ 37 milhões

  36. 36º Criciúma

    R$ 30 milhões

  37. 37º Juventude

    R$ 22 milhões

  38. 38º Mirassol

    R$ 7,4 milhões

  39. 39º Operário-PR

    R$ 4,2 milhões

  40. 40º CRB

    R$ 900 mil

Fonte: Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf)

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