Mesma origem, confiança e muito amor: como Messi mudou a vida de Scaloni

Craque e técnico nasceram na mesma província, foram companheiros na Copa de 2006 e tomam as decisões sobre a seleção juntos

19 jul 2026 - 13h04
(atualizado às 13h58)
Scaloni e Messi conversam muito sobre as decisões a sere tomadas –
Scaloni e Messi conversam muito sobre as decisões a sere tomadas –
Foto: Marcelo Endelli / Getty Images - Legenda: Messi e Scaloni com a taça da Copa de 2022 / Jogada10

Não é exagero dizer que a relação entre Lionel Messi e Lionel Scaloni, os dois grandes ícones do futebol atual da Argentina, atravessa cinco décadas. Afinal, o nome de batismo não é o único aspecto que os une. Com raízes na província de Santa Fé, foram companheiros de seleção na Copa de 2006 e se reencontraram para transformarem a geração do futebol do país. Neste domingo, a partir das 16h, contra a Espanha, podem ter o ato final juntos.

A expectativa é de muita emoção, não importa o resultado. Scaloni é famoso por ser o "chorão" na delegação argentina. A cada vez que o time vira um jogo dramático ou que fala dos feitos de Messi, o treinador se entrega às lágrimas.

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"Messi mudou a minha vida. Eu pensei que a gente seria eliminado hoje, mas felizmente o meu time tem Lionel Messi. Ele venceu o jogo sozinho para nós. Eu te amo muito!", celebrou Scaloni, após a épica virada sobre o Egito, por 3 a 2, nos 13 minutos finais das oitavas de final.

Gratidão pela confiança

A frase que abre a declaração tem a ver com o fato de que o técnico começava sua carreira como auxiliar, aos 40 anos, quando assumiu interinamente a seleção. Sem experiência, ninguém imaginava que seria efetivado. Pouco a pouco, porém, ganhou a confiança do grupo e, sobretudo, de Messi.

Scaloni e Messi conversam muito sobre as decisões a sere tomadas –
Foto: Jogada10

Afinal, o peso da opinião do craque pode mudar tudo no futebol da Argentina. Quando foi perguntado sobre o que achava das ideias e do trabalho de Lionel Scaloni, logo após a primeira partida das Eliminatórias, em 2019, o atacante ponderou, fez críticas leves, mas mostrou que dava o seu aval.

"Creio que ele vai crescendo com a gente, é a sua primeira experiência. Vai cometendo erros e aprendendo. A verdade é que é muito difícil ser treinador da Argentina com tudo que rodeia a seleção. É difícil ser treinador, muito mais da Argentina por tudo que significa. Acredito que (Scaloni) seja bem-vindo com sua comissão. Vamos todos juntos", disse Messi.

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Vizinhos e, depois, companheiros

Por nove anos, a dupla compartilhou a mesma região da Argentina. Isso porque nasceram muito próximos, em Rosário, na província de Santa Fé. E Scaloni debutou na carreira de jogador no Newell's Old Boys, assim como Messi futuramente faria. Quando o Lionel mais velho se transferiu para o Estudiantes, em 1996, o futuro melhor do mundo já dava seus primeiros chutes no Centro de Treinamento do clube rubro-negro.

Segundo relatam, não chegaram a se conhecer pessoalmente. O técnico passou a ouvir falar de Messi já nas categorias de base do Barcelona, quando também jogava e vivia no país. Então, a partir de 2005 desenvolveram uma relação de amizade na seleção. Afinal, Messi, aos 18 anos, já era convocado por José Luís Pékerman. Scaloni, por sua vez, foi um lateral e volante com limitação técnica, mas muita raça, inteligência e obediência tática.

Há ao menos três registros durante a Copa de 2006 que mostram o carinho entre os dois (um deles está abaixo). Seja sentados lado a lado no banco de reservas ou em um abraço afetuoso após a partida em que Messi marcou seu primeiro gol em Copas, contra a Sérvia, pela fase de grupos.

Reencontro definitivo

Onze anos e três Copas depois, voltaram a se cruzar, quando Scaloni virou um dos auxiliares de Jorge Sampaoli na seleção. No entanto, o primeiro resultado foi um desatre. Afinal, o time tinha problemas em assimilar as ideias do treinador, e a Argentina foi eliminada nas oitavas do Mundial de 2018, levando quatro gols da França. Com isso, ampliou o jejum para 36 anos desde que Maradona liderou o bicampeonato.

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Nesta época, Scaloni já era o mais próximo do grupo. Tanto por ter sido companheiro de alguns no campo, quanto pela personalidade acolhedora. E foi essa característica que o garantiu no cargo posteriormente. O diagnóstico de time e federação era de que a união e o diálogo eram os fatores fundamentais que faltavam.

"Não tomo nenhuma decisão sem consultar Messi". Não faz sentido dizer que sou eu quem manda. Sempre conversamos com Messi sobre todas as decisões que tomamos. Pergunto a ele o que pensa, como está e tentamos chegar a um acordo", confirma Scaloni, sem nenhum receio de inverter a hierarquia.

A glória do título mundial

Sob a orientação da dupla Scaloni/Messi, a Argentina alterou a rota e, enfim, voltou a ser campeã. Multicampeã, aliás. Primeiro, a Copa America de 2021, no Maracanã, em período de pandemia. Depois, claro, o título mundial de 2022, no Catar, para coroar o ciclo perfeito e dar a Messi a glória que lhe faltava. Como se não bastasse, veio mais uma Copa América em 2024, confirmando a hegemonia no continente.

A dupla de Lionels se abraça no Catar, palco do título mundial –
Foto: Alexander Hassenstein / Getty Images / Jogada10

"Este time é impressionante, continua crescendo jogo a jogo. Cada vez joga melhor. Comparar com o Barcelona (onde jogou), que foi o melhor da história do clube, é muito ainda. Mas acho que este time está perto pelo que demonstrou, por ter conquistado a Copa América e a Copa do Mundo. Temos grandíssimos jogadores e, jogue quem jogar, não se nota, porque o estilo de jogo está muito marcado", explicou o craque, em entrevista recente.

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Nesta Copa, que deve ser a última de Messi, a equipe mantém seu estilo consagrado e, apesar das dificuldades, chegou à final na base de muito comprometimento e resiliência. Experiente, o grupo esbanja confiança no próprio taco, afinal, 16 nomes da conquista de 2022 foram convocados novamente. Bem ao estilo da família Scaloni ou a "Scaloneta", como chamam na Argentina.

A despedida se aproxima

Para Scaloni, não há dúvidas de que seu pupilo é o melhor da história do futebol. Não somente pelo que fez no período recente, em que trabalharam juntos, mas com o conjunto da obra nos clubes. Aos 39 anos, Messi segue empilhando títulos e premiações.

"Às vezes, parece que dizemos isso porque somos argentinos. Parece egoísmo dizer que ele é o melhor da história. Mas, acho que não há nenhuma dúvida, venho dizendo isso há muito tempo", crê o técnico.

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Antes mesmo de chegar ao Mundial, as despedidas já haviam começado. Em setembro de 2025, Messi enfrentou a Venezuela em noite que deve ter marcado o adeus ao país em jogos oficiais. Na coletiva, um repórter começou a chorar e emocionou Scaloni.

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"Acho que agora vamos ter que encerrar isso…", brincou o treinador, sem condições de seguir sua resposta.

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