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Yara vai reduzir ainda mais a produção de fertilizantes devido à alta dos preços do gás

22 out 2026 - 08h32
Resumo
A norueguesa Yara anunciou novos cortes na produção de fertilizantes devido à disparada dos preços do gás natural, insumo vital para o setor. Com a produção de amônia em queda de 11% no ano, a empresa pode recorrer a importações para contornar a crise energética. O cenário eleva os custos operacionais, pressiona os resultados financeiros da companhia e ameaça acelerar a inflação global de alimentos até 2027, somando-se a gargalos logísticos no transporte marítimo causados por conflitos geopolíticos.

A norueguesa ‌Yara anunciou nesta quinta-feira que reduzirá ainda mais sua produção de fertilizantes no quarto trimestre, à medida que a alta vertiginosa dos preços do gás natural continua pressionando os produtores europeus de fertilizantes.

O gás natural é tanto uma matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes quanto ⁠uma importante fonte de energia no processo de produção, o que significa ‌que as oscilações de preço podem ter um impacto significativo nos custos dos fabricantes e nos preços pagos pelos agricultores.

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"Atualmente, as reduções ‌estão em um nível mais alto do ‌que no terceiro trimestre, e isso se deve ao fato ⁠de que os aumentos nos preços do gás se intensificaram no quarto trimestre", disse o presidente-executivo Svein Tore Holsether à Reuters.

A empresa reduziu a produção em 150.000 toneladas de amônia e 115.000 toneladas de produtos acabados no terceiro trimestre, principalmente em sua fábrica de Ferrara, na ‌Itália. No acumulado do ano, sua produção de amônia caiu 11%.

Os preços ‌mais altos do gás ⁠estão elevando os ⁠custos em todo o setor de fertilizantes, levando os produtores a reduzirem a produção ⁠e a dependerem mais fortemente ‌da amônia importada, em um ‌momento em que os mercados de energia permanecem voláteis. Holsether afirmou que, caso os preços elevados persistam na Europa, a Yara poderia adquirir amônia de outras partes do mundo.

Cerca de um terço ⁠do fluxo mundial de fertilizantes costuma passar pelo Estreito de Ormuz e tem sofrido grandes interrupções desde o início da guerra. A inflação global dos alimentos deve acelerar ainda mais e persistir até boa parte de 2027, devido às ‌interrupções no transporte marítimo e aos custos mais elevados dos fertilizantes, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação ⁠e a Agricultura (FAO).

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CUSTOS DO GÁS PESAM NOS RESULTADOS E NAS PERSPECTIVAS

A Yara informou que espera que os custos com gás natural sejam US$450 milhões mais altos no quarto trimestre de 2026 e US$445 milhões mais altos no primeiro trimestre de 2027 em comparação com os mesmos períodos do ano anterior.

A empresa divulgou lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$675 milhões no terceiro trimestre, cerca de 10% abaixo do que esperavam os analistas consultados pela empresa.

Além dos preços do gás, a demanda adiada por fertilizantes pesou sobre as margens e as entregas no trimestre, informou a empresa.

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