O chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, convocou um grupo amplo e intelectualmente diversificado de economistas e ex-membros de bancos centrais para supervisionar as cinco forças-tarefa que está criando com o objetivo de analisar as operações do Fed, abrangendo questões técnicas, como a gestão de seu balanço patrimonial, bem como temas voltados para o futuro, como o impacto da inteligência artificial.
Warsh anunciou as forças-tarefa na coletiva de imprensa realizada após sua primeira reunião de política monetária como chair do Fed, nos dias 16 e 17 de junho.
O banco central nomeou 15 pessoas nesta quinta-feira para liderar essas forças-tarefa, que contarão com a equipe do Fed para auxílio, mas "atuarão de forma independente, com a missão de seguir as evidências, fornecer feedback sincero e produzir conclusões rigorosas para o Comitê Federal de Mercado Aberto", informou o Fed em um comunicado.
O grupo inclui pessoas de todo o espectro político, com o professor de economia da Universidade de Harvard Raj Chetty — pioneiro no uso de dados alternativos e em tempo real para analisar a situação das famílias e comunidades — ajudando a liderar um painel sobre dados; o renomado investidor em tecnologia Marc Andreessen como um dos três colíderes de um painel sobre produtividade e empregos; e Greg Mankiw, que foi chairman do Conselho de Assessores Econômicos no governo de George W. Bush, coliderando uma força-tarefa sobre inflação.
O ex-presidente do BC brasileiro Armínio Fraga e ex-presidentes dos bancos centrais da Inglaterra e da Índia estão entre os nomeados, assim como o ganhador do Prêmio Nobel de Economia Thomas Sargent, atualmente professor de economia na Universidade de Nova York, que fará parte do painel sobre inflação.
"A economia dos EUA mudou significativamente ao longo da última geração, e nunca tanto quanto agora. Cada força-tarefa avaliará cuidadosamente se os meios e métodos dos formuladores de políticas, as ferramentas analíticas e as abordagens políticas podem ser aprimorados", afirmou Warsh em comunicado. "O objetivo é claro: garantir que o Fed esteja na melhor posição possível para alcançar nossos objetivos neste momento decisivo."
O Fed não forneceu mais detalhes sobre como as forças-tarefa irão proceder ou sobre o cronograma de seus trabalhos, embora Warsh, em sua primeira coletiva de imprensa, tenha dito que esperava receber recomendações até o final do ano.
Warsh, que foi diretor do Fed de 2006 a 2011, vinha se tornando cada vez mais crítico em relação à abordagem do banco central à política monetária e à manutenção de um balanço patrimonial vultoso, na casa dos trilhões de dólares, desde que deixou o banco central. Mais recentemente, antes de sua indicação pelo presidente Donald Trump para liderar o banco central, ele identificou outras áreas que, em sua opinião, precisavam de atenção, particularmente o uso de dados de ponta em "tempo real" para alinhar melhor as decisões do Fed com a economia, e a possível influência da inteligência artificial na produtividade e no emprego.
Além de dados, inflação e produtividade, duas outras forças-tarefa analisarão a comunicação do Fed e a gestão de seu balanço patrimonial.
Ao delegar a análise dessas cinco áreas-chave a especialistas externos — "as melhores mentes de diversas disciplinas", nas palavras de Warsh —, o processo contrastará com as recentes análises do Fed, que foram conduzidas mais por análises e discussões internas.
Não está claro, por exemplo, qual papel os sete diretores do Fed ou os 12 presidentes dos Fed regionais poderão desempenhar nas análises das forças-tarefa.
Mas o anúncio também reconhece que o trabalho das forças-tarefa é apenas um ponto de partida para recomendações, sendo que as mais importantes provavelmente precisariam da aprovação dos pares de Warsh. Em casos de mudanças verdadeiramente fundamentais, o Fed costuma contar com um consenso amplo, se não unânime, antes de seguir em frente.