O volume de serviços prestados no País encolheu 0,4% em dezembro ante novembro, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados nesta quinta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, o fechamento do ano permaneceu positivo: os serviços cresceram 2,8% em 2025, a quinta taxa anual positiva consecutiva, acumulando um ganho de 31% no período, após o tombo de 7,8% visto em 2020, sob o impacto dos efeitos da pandemia de covid-19.
"Assim como no ano passado, o setor de serviços deve continuar sólido em 2026, contribuindo para sustentar o crescimento da economia. Nossa projeção é de que os serviços terminem o ano novamente em expansão, impulsionados por medidas promovidas pelo governo, como o estímulo à concessão de crédito e o aumento de gastos", previu a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, em comentário.
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, o resultado dos serviços em dezembro confirma a desaceleração da atividade econômica, embora o setor tenha se mostrado resiliente no ano de 2025 como um todo.
"O dado mostra que a economia perdeu tração, sentindo os juros elevados e algumas incertezas. Mas você deve ter um impulso, um novo ganho agora em 2026 por conta do mercado de trabalho aquecido, aumento do salário mínimo, isenção do Imposto de Renda (para quem ganha até R$ 5 mil). Tudo isso deve dar novo estímulo para o setor de serviços. E quando a gente olha o número fechado do ano, os serviços cresceram de maneira bastante robusta, quase 3%", observou Perez.
Quatro das cinco atividades de serviços registraram avanços em 2025 em relação a 2024: informação e comunicação (5,5%), serviços profissionais, administrativos e complementares (2,6%), transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,3%) e serviços prestados às famílias (1,1%). O segmento de outros serviços registrou queda de 0,5%.
Já a retração em dezembro ante novembro interrompeu uma sequência de dez meses sem resultados negativos, período em que acumulou uma expansão de 3,6%. O desempenho de dezembro ainda não permite afirmar que há uma interrupção na trajetória de crescimento do setor, uma vez que sucede justamente o pico histórico alcançado em novembro, avaliou Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em janeiro de 2011 pelo IBGE.
"A gente está falando de um dezembro de 2025 que acontece logo depois do ponto mais alto da série", frisou Lobo. "No ano de 2025, houve apenas dois meses com resultados negativos. Essa é uma primeira informação negativa, mas a gente não pode perder de vista que vem depois de um pico histórico em novembro."
O setor de serviços operava em dezembro em patamar 0,4% abaixo do pico alcançado no mês imediatamente anterior, em novembro de 2025. O volume prestado estava em patamar 19,6% superior ao de fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise sanitária no País.
"A gente está falando de um patamar muito elevado. A queda nos serviços em dezembro foi puxada por transportes, que é um setor que veio mostrando comportamento muito positivo em 2025", disse. "É uma primeira queda em dezembro, não dá pra gente inferir que tenha reversão de trajetória", afirmou Lobo.
Na passagem de novembro para dezembro, três das cinco atividades pesquisadas tiveram recuos, com destaque para o desempenho dos transportes (-3,1%), com perdas em todos os subsetores investigados: terrestre (-1,7%); aquaviário (-1,4%); aéreo (-5,5%); e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,9%). Segundo Lobo, houve influência da redução no transporte da safra agrícola recorde no modal rodoviário de cargas e do aumento nas tarifas aéreas no modal aéreo.
As demais quedas em dezembro ocorreram em outros serviços (-3,4%) e serviços profissionais e administrativos (-0,3%). Houve avanços em informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%).
Na comparação com igual mês do ano anterior, os serviços subiram 3,4% em dezembro de 2025, 21º resultado positivo seguido. O volume de serviços prestados avançou 0,8% no quarto trimestre de 2025 ante o terceiro trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o quarto trimestre do ano anterior, houve elevação de 2,8%.