Vendas de diesel no Brasil sobem levemente em fevereiro, gasolina ganha fôlego, mostra ANP

31 mar 2026 - 17h55

As vendas de diesel B (com ‌mistura de biodiesel) no Brasil registraram uma leve alta em fevereiro na comparação anual, impactadas pelo atraso da colheita da soja, enquanto a demanda por gasolina ganhou mais fôlego no período, mostraram dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), nesta terça-feira, e análise da consultoria StoneX.

No segundo mês do ano, as vendas de diesel B ⁠somaram 5,32 bilhões de litros, alta de 0,8% em relação a fevereiro de 2025 e alta ‌de 2,4% frente a janeiro, conforme dados da autarquia. Segundo a StoneX, o desempenho reflete a menor demanda do combustível na frente agrícola, diante do atraso da colheita ‌da soja, que reduziu o transporte do grão no ‌período.

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"A recuperação do indicador de colheita em março, no entanto, é um fator ⁠que deve garantir um crescimento do consumo para transporte do grão até os centros consumidores e terminais de exportação", afirmou Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

No acumulado de janeiro a fevereiro, as vendas de diesel B totalizaram 10,52 bilhões de litros, queda de 1,3% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com os dados da ‌ANP. A antecipação das compras por parte dos postos em dezembro, em meio ao aumento ‌do ICMS em janeiro, e ⁠o atraso da colheita ⁠da soja seguem como os principais fatores por trás dessa redução, segundo Cordeiro.

Para os próximos meses, no ⁠entanto, a expectativa é de recuperação do indicador, ‌com o início do plantio ‌do milho contribuindo para uma maior demanda pelo combustível, disse o especialista.

GASOLINA

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Já as vendas de gasolina ganharam mais fôlego em fevereiro, avançando para 3,76 bilhões de litros, o que representa uma alta de 10,3% em relação ao mesmo mês de 2025, ⁠segundo a ANP.

"Esse movimento já era antecipado conforme o etanol hidratado se mostrou pouco competitivo no mês, com a paridade acima de 70% (fechada) em todos os Estados do país", afirmou Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Segundo a consultoria, esse cenário ajudou a amenizar a queda sazonal das vendas ‌de gasolina C, que tradicionalmente acompanham o enfraquecimento do consumo de combustíveis leves em fevereiro. No acumulado do primeiro bimestre, as vendas de gasolina somaram 7,68 milhões de metros ⁠cúbicos, alta de 5,9% na comparação anual.

Para os próximos meses, no entanto, a expectativa é de desaceleração do crescimento da demanda por gasolina C, especialmente a partir do segundo trimestre, segundo a StoneX. Em março, a alta dos preços da gasolina voltou a elevar a atratividade do etanol em alguns Estados, embora a resposta do consumo ocorra com defasagem.

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"Assim, espera-se que a substituição da preferência entre álcool e gasolina será reforçada a partir de abril com o aumento da oferta do biocombustível em meio ao início da moagem no centro-sul", disse Garcia.

A comercialização do etanol hidratado, por sua vez, recuou 11,5% na comparação anual, para 1,52 bilhão de litros em fevereiro. Já no acumulado do primeiro bimestre, as vendas do biocombustível somaram 3,17 bilhões de litros, queda de 10,8% em relação ao mesmo período de 2025.

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