Trump investe contra Fed após Warsh apoiar alta dos juros

16 set 2026 - 20h31
Resumo
Donald Trump criticou a decisão do Federal Reserve de elevar os juros para conter a inflação persistente, exigindo cortes imediatos nas taxas para 1% ou menos. Apesar de atacar a diretoria do banco central, Trump afirmou ainda confiar no chefe da instituição, Kevin Warsh, indicado por ele para o cargo. Warsh defendeu o aumento de 25 pontos-base como uma medida responsável e necessária contra a alta dos preços, mantendo a postura de independência do órgão em relação às pressões da Casa Branca.

O presidente dos EUA, Donald Trump, dirigiu nesta quarta-feira sua crítica mais contundente — ‌embora ainda indireta — até o momento ao chair do Federal Reserve, escolhido a dedo por ele, manifestando sua indignação nas redes sociais diante da decisão do banco central de aumentar as taxas de juros, numa tentativa de conter a inflação persistente.

"As taxas de juros nos Estados Unidos deveriam ser de 1% ou menos, porque temos o melhor crédito do mundo — DE LONGE", escreveu ele no Truth Social, sua plataforma de mídia social.

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"REDUZAM AS TAXAS DE JUROS PARA OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, E RÁPIDO!", concluiu ele.

Foi o mais próximo que Trump chegou ⁠de desferir um de seus ataques diretamente a Kevin Warsh, embora tenha dito posteriormente a repórteres que ainda confia no homem que escolheu em ‌maio para substituir Jerome Powell no comando do Fed — uma figura que o presidente frequentemente criticava por não ter promovido os cortes drásticos nas taxas que Trump exigia rotineiramente.

"Eu... conversei com o Kevin", disse Trump, parecendo confirmar uma interação com o chefe do Fed que o ‌próprio Warsh se recusou a confirmar até o momento. "E eu disse que ele poderia ‌muito bem votar com a diretoria, porque isso não vai fazer diferença. A diretoria é muito hostil. Eles são muito politizados. ⁠Estão agindo de forma errada."

Trump, assim como em publicações recentes nas redes sociais, também pareceu associar os persistentes déficits comerciais dos EUA aos custos de financiamento definidos pelo banco central, embora os dois assuntos sejam, em grande parte, independentes um do outro. Trump já havia ameaçado interromper todo o comércio com países com os quais os EUA apresentam déficits comerciais caso o Fed não reduzisse as taxas de juros.

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"A palavra 'déficit' nada mais é do que um termo rebuscado para 'PERDA'. Estamos 'sustentando' quase todos os países do mundo, e isso não pode continuar assim", postou Trump ‌nesta quarta-feira.

A declaração de Trump veio logo após os formuladores de política do Fed terem concordado por unanimidade em elevar as taxas em 25 pontos-base, ‌para a faixa de 3,75% a 4,00% — ⁠uma medida que Warsh descreveu em uma ⁠coletiva de imprensa posterior como "uma decisão sóbria, séria e responsável".

"O fato é que a inflação está alta demais e já está assim há tempo demais", disse ⁠Warsh.

E as taxas provavelmente subirão ainda mais. Novas projeções de política monetária mostraram que ‌16 das 18 autoridades preveem pelo menos mais ‌um aumento de um quarto de ponto percentual até o final deste ano, com apenas duas delas acreditando que as taxas permanecerão estáveis a partir de agora. Warsh reiterou nesta quarta-feira que se opõe a divulgar orientações prospectivas e não apresentou uma projeção.

Trump nomeou Warsh em janeiro para suceder Powell, a quem Trump apelidou de "tarde demais" por adotar uma abordagem mais cautelosa em relação aos ⁠cortes nas taxas no ano passado do que Trump desejava. Warsh, por sua vez, assumiu o cargo com a promessa de manter a independência do Fed na definição da política monetária e, ao mesmo tempo, trabalhar em maior sintonia com a Casa Branca em outras questões.

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Depois que Warsh assumiu o cargo — após uma confirmação no Senado que quase foi prejudicada por uma investigação federal sobre Powell e pelas reformas no prédio da sede do Fed —, ele inicialmente orientou as autoridades do Fed a ‌manter as taxas estáveis, embora nem todas as autoridades concordassem com a abordagem diante das pressões inflacionárias. Nesta quarta-feira, ele afirmou que havia chegado a hora de o banco central agir.

"Os dados de inflação deste verão (nos EUA) não me indicam que as tendências subjacentes tenham ⁠melhorado", disse ele aos repórteres.

Questionado em sua coletiva de imprensa se planejava se reunir com Trump para explicar a decisão do Fed, Warsh evitou responder.

"Não tenho nada a dizer sobre discussões com o presidente", afirmou.

A postagem de Trump foi a segunda vez nesta semana em que ele criticou seus próprios nomeados. Depois que a Suprema Corte rejeitou sua tentativa de regulamentar a forma como os Estados emitem cédulas eleitorais pelo correio, Trump escreveu sobre os três juízes que nomeou: "Essas não são as pessoas que entrevistei para atuar na Suprema Corte dos Estados Unidos; elas são meramente uma sombra de quem eram originalmente."

Autoridades da Casa Branca passaram grande parte da semana pressionando publicamente o Fed a deixar as taxas estáveis. Uma ex-autoridade da Casa Branca disse à Reuters que a postagem do presidente nas redes sociais sobre o Fed foi uma resposta moderada no contexto dessa campanha.

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"O presidente está deixando claro que discorda da política sem dizer explicitamente que Warsh é pessoalmente culpado, sem dar a ele um apelido ou ameaçar com ações retaliatórias contra o Fed", disse a pessoa, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a se manifestar publicamente. "Em vez disso, ele está redirecionando sua ira para os parceiros comerciais, que têm pouco a ver com a decisão de política monetária."

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