Transição energética precisa incluir minerais críticos, como níquel e ouro, diz diretor do BNDES

No 'Energy Summit', José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco disse que há demanda do mercado de R$ 85 bilhões para projetos envolvendo esses minerais

24 jun 2025 - 15h32
(atualizado em 26/6/2025 às 19h25)

O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Luis Gordon, afirmou nesta terça-feira, 24, durante o Energy Summit 2025— evento em parceria com o Estadão —, que os planos de transição energética do país precisam prever o desenvolvimento de minerais críticos, como níquel, ouro e cobre.

Isso significa a necessidade de bancos de desenvolvimento e agências de fomento apoiarem projetos do setor.

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"Vivemos um momento diferenciado na economia brasileira por termos uma política pública clara para incentivar a indústria mais verde. Na agenda de transição energética, todos os minerais críticos são fundamentais. E recebemos uma demanda do mercado de R$ 85 bilhões para projetos envolvendo esses minerais".

'Na agenda de transição energética, todos os minerais críticos são fundamentais', diz José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES
'Na agenda de transição energética, todos os minerais críticos são fundamentais', diz José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES
Foto: Tiago Queiroz/Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

A cifra é superior ao orçamento de R$ 5 bilhões destinados pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em uma chamada pública lançada em janeiro para fomentar planos de negócios que visem a transformação de minerais estratégicos para as cadeias produtivas inseridas na agenda transição energética e descarbonização.

O objetivo é desenvolver a cadeia de materiais estratégicos sustentáveis no país por meio de linhas de crédito, participação acionária em empresas e recursos não reembolsáveis.

Segundo Gordon, quase R$ 50 bilhões em iniciativas passaram nas avaliações iniciais. "Agora vamos procurar apoiar esses bons projetos ao longo do tempo".

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Fontes de financiamento

Conforme o BNDES, entre os anos de 2023 a 2025 foram destinados R$ 20 bilhões para inovação pelo banco. Somando os recursos da Finep, a cifra chega a R$ 46 bilhões, "a maior soma na história de recursos para apoiar a inovação no setor industrial", declarou.

Em sua avaliação, o Brasil já se coloca como referência em tração de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para atrair empresas.

Ainda no evento, João Carneiro, líder da área de Energia e Infraestrutura do IFC - World Bank Group, destacou que o Brasil é o segundo país na carteira de crédito da entidade global, só atrás da Índia.

Entre os negócios apoiados, o setor de energia, principalmente energia elétrica, é um dos destaques. "Estamos fazendo muitos negócios, principalmente com distribuidores de energia, mas espero que a gente volte a ter uma demanda maior aqui para [negócios] de geração."

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