Em parceria com o Idesam, o TikTok capacitou mais de 20 moradores de Apuí (AM), cidade no Arco do Desmatamento, para a criação de conteúdo digital focado em sustentabilidade. A iniciativa busca transformar a câmera do celular em ferramenta de mudança, estimulando relatos locais sobre bioeconomia, cafeicultura agroflorestal e desafios ecológicos. Os vídeos práticos concorrerão a prêmios em um evento regional no fim de novembro, visando ampliar o alcance global das narrativas da comunidade.
Incentivar pessoas a criar narrativas a partir de suas experiências na Amazônia, com foco em sustentabilidade e negócios. Essa é uma das propostas do TikTok para uma iniciativa de formação em conteúdo digital para jovens e adultos do município de Apuí, no sul do Amazonas, em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam).
Com duas fases, a proposta da plataforma envolveu uma oficina de comunicação digital para redes sociais em outubro e a parte prática dessa produção, com a edição e publicação de vídeos sobre a cafeicultura agroflorestal local. Os materiais finais participarão de uma premiação no evento "Expo Café: Do Grão à Xícara: Narrativas Cafeinadas", que será realizado na região entre 27 e 28 de novembro.
Segundo os organizadores, a ideia é estimular os participantes do projeto a reconhecer o próprio potencial como comunicadores e usar as plataformas digitais para contar histórias sobre o Apuí, abordando temas como sustentabilidade, conservação da floresta, produção e negócios sustentáveis, mudanças climáticas, mas também abordando os desafios ambientais enfrentados por eles no município.
A escolha da localidade tem relação direta com esses desafios. O Apuí está localizado no chamado Arco do Desmatamento, área da Amazônia Legal que concentra os maiores índices de espaços degradados da região. Segundo quadro do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), o município aparece como líder entre os locais com maior taxa de desmatamento na Amazônia em 2026, tendo 62,36 km² de área desmatada.
Em virtude disso, o TikTok já desenvolve com o Idesam um projeto de restauração florestal integrada à produção sustentável de café, que, segundo dados internos, envolveu o plantio de mais de 100 mil árvores em sistemas agroflorestais, desde 2021, por meio de uma campanha realizada na plataforma.
Agora, a proposta é atuar na visibilidade das oportunidades e dos desafios ambientais do lugar, por meio das mídias digitais, a partir de comunicadores locais, segundo o diretor de Responsabilidade Social Corporativa do TikTok na América Latina, Handemba Mutana.
"O Apuí é uma região central para as discussões sobre o futuro da Amazônia, principalmente quando falamos sobre bioeconomia", diz. "Quando falamos sobre a Amazônia, muitas vezes a conversa se concentra nos desafios da região, por vezes com menos espaço para tantas iniciativas, conhecimentos e soluções incríveis construídas e lideradas por quem vive ali. São histórias que merecem ser conhecidas por mais pessoas e que podem ganhar alcance quando compartilhadas com o mundo."
Segundo Mutana, a meta é que os participantes do projeto possam usar a câmera do celular como uma "ferramenta de transformação". "Temos um orgulho imenso em apoiar, acompanhar e assistir ao surgimento de uma nova geração de comunicadores e líderes locais engajados com suas comunidades e ativos na nossa plataforma. Queremos que, ao abrir o TikTok, usuários do Brasil e do mundo todo sejam educados e inspirados por conteúdos vindos do Apuí."
Oficina com conteúdo técnico
Com a primeira fase do projeto concluída, pouco mais de 20 pessoas entre 18 e 45 anos estão aptas para seguir na fase de produção de conteúdos, que será encerrada no final deste mês.
De acordo com o líder de estratégia e comunicação e consultor para o Idesam, Diego Toledano, que ministrou a oficina técnica junto à equipe do TikTok, foram passadas aos participantes noções básicas de gravação, enquadramento, edição e de como pensar estrategicamente em conteúdos da região.
"A proposta foi mostrar que a realidade deles já é, por si só, uma fonte muito rica de conteúdo. O cotidiano no campo, os processos de produção, as histórias por trás do café e as pessoas envolvidas em cada etapa têm um potencial enorme de comunicação."
Segundo Toledano, a expectativa agora é por visualizar os conteúdos. "Saí de Apuí muito feliz com essa troca e com a sensação de que conseguimos plantar uma sementinha importante. A expectativa agora é que esse conhecimento comece a se transformar em conteúdo, visibilidade e oportunidades de negócio."