As taxas futuras de juros no Brasil fecharam em forte queda nesta quinta-feira, sobretudo nos contratos longos, impulsionadas pela perda de força dos rendimentos dos Treasuries nos EUA e pelo cenário eleitoral doméstico. O recuo reflete o favoritismo de Flávio Bolsonaro sobre Lula nas pesquisas de segundo turno, gerando otimismo no mercado sobre um maior rigor fiscal e corte de juros futuros, apesar das críticas do governo e de incertezas sobre as propostas para a Previdência e gastos sociais.
As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com baixas, em especial entre os contratos de longo prazo, ainda refletindo a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da disputa pelo Planalto.
A queda dos rendimentos dos Treasuries, que mais cedo exibiam altas, também justificou a retração das taxas futuras no Brasil.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,54%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,593% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,6%, com recuo de 18 pontos-base ante 12,779%.
Desde domingo, com o resultado do primeiro turno, a taxa do DI para janeiro de 2035 acumulou queda de 153 pontos-base, em meio à avaliação de que Flávio é o favorito na disputa com Lula.
Nesta quinta-feira, após oscilarem próximas da estabilidade na abertura, as taxas dos DIs migraram para o território negativo, influenciadas tanto pelo "trade eleitoral", que mantém o apetite dos investidores ao risco, quanto pelo cenário externo.
Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo, que mais cedo exibiam altas firmes, desaceleraram durante a manhã e se firmaram em baixa à tarde, ainda que o petróleo Brent tenha se mantido em alta.
Essa perda de força dos rendimentos dos Treasuries trouxe uma pressão de baixa para a curva brasileira, conforme um profissional ouvido pela Reuters, em movimento corroborado pela pesquisa de intenções de voto PoderData/Aya, divulgada mais cedo.
Conforme o levantamento, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 53% dos votos válidos na simulação de segundo turno, contra 47% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A margem de erro é de 1,8 ponto percentual.
Os investidores aguardam agora a divulgação da nova pesquisa do Datafolha, programada para o início da noite.
No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.
No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nos últimos dias na redução de prêmios na parte longa da curva de DIs, justamente o trecho mais afetado pela política fiscal.
A taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima de 12,530% (-25 pontos-base) às 14h15, quando o Ibovespa também estava próximo da máxima do dia no Brasil.
Nesta quinta-feira, o jornal Folha de S. Paulo publicou que a equipe de Flávio estuda alterar os reajustes da aposentadoria, assim como a correção dos gastos obrigatórios com saúde e educação.
Em Brasília, em entrevista à imprensa, Flávio disse que reajustará os valores da aposentadoria acima da inflação e negou ter planos para mudar a forma atual de correção dos benefícios da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Em entrevista à CNN durante a tarde, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que Flávio vende uma "ilusão" ao mercado e não leva em conta impactos sobre a atividade econômica e empregos.
No exterior, às 16h38 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 5 pontos-base, a 5,229%.