As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira em alta, em especial entre os contratos de curto prazo, com investidores operando novamente pautados pelo noticiário sobre a guerra do Oriente Médio, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries tiveram ganhos firmes.
Em uma sessão bastante volátil, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,13% no fim da tarde, com alta 12 pontos-base ante o ajuste de 13,012% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,655%, com elevação de 1 ponto-base ante 13,644%.
No início do dia, as ações do Irã na guerra contra EUA e Israel deram certo suporte ao petróleo e ao dólar, o que impulsionou a curva de juros no Brasil, em meio a temores sobre o impacto do conflito na inflação.
O Irã disparou contra Israel e outros alvos no Oriente Médio e prometeu mirar contra interesses econômicos e bancários ligados aos norte-americanos e aos israelenses, alertando que os preços do petróleo chegarão aos US$200 o barril em função dos ataques.
Durante a manhã, porém, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista ao site Axios que "praticamente não há mais nada" para atacar no Irã e que a guerra no país terminará em breve. Na segunda-feira, ele já havia previsto um desfecho no curto prazo.
Já a Agência Internacional de Energia recomendou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo, a maior ação desse tipo em sua história, para tentar conter a disparada dos preços da commodity.
Em meio aos estímulos conflitantes do noticiário, a taxa do DI para janeiro de 2028 oscilou entre a máxima de 13,19% (+18 pontos-base) às 9h50 e a mínima de 13,025% (+1 ponto-base) às 11h02, para depois voltar a acelerar os ganhos.
O movimento ocorreu em paralelo a acelerações e desacelerações dos preços do petróleo no exterior, mas o saldo da sessão foi novo avanço das taxas entre os DIs de curto prazo, com os investidores ainda divididos sobre o que o Banco Central anunciará na próxima semana -- um corte de 25 ou de 50 pontos-base da Selic, hoje em 15%.
Com o aumento das taxas na ponta curta da curva, as taxas longas mostraram maior acomodação.
O avanço das taxas dos DIs esteve em sintonia com a alta firme dos rendimentos dos Treasuries, em meio à pressão do avanço do petróleo sobre a inflação norte-americana. Dados do grupo de defesa dos motoristas AAA indicaram que os preços da gasolina na bomba aumentaram mais de 18% nos EUA, chegando a US$3,54 por galão, desde que a guerra começou.
Às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 7 pontos-base, a 4,21%.
Com a forte influência do exterior, os efeitos do noticiário local sobre a renda fixa brasileira acabaram diluídos.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo em janeiro aumentaram 0,4% em relação a dezembro, quando houve queda de 0,4%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram alta de 2,8%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam queda mensal de 0,1% e alta anual de 1,65%.
À tarde, uma nova pesquisa Genial/Quaest mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas simulações de primeiro turno da eleição presidencial. Lula registra entre 36% e 39% das intenções de voto nos diferentes cenários de primeiro turno, enquanto Flávio tem entre 30% e 35%. Na simulação de segundo turno, ambos somam 41%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.