As taxas dos DIs abriram em queda nesta sexta-feira após o IPCA registrar deflação de 0,32% em agosto, superando as expectativas do mercado e acumulando alta de 4,22% em 12 meses. O recuo dos preços, aliado à desaceleração na inflação de serviços, reforçou as apostas de novos cortes na Selic pelo Banco Central, projetando reduções já neste mês. O movimento doméstico divergiu do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries subiram após dados da inflação ao consumidor nos Estados Unidos.
As taxas dos DIs abriram a sexta-feira em baixa após o IBGE anunciar uma deflação maior do que a esperada pelo mercado em agosto, reforçando a percepção de que o Banco Central terá espaço para promover mais cortes de juros.
O movimento no Brasil está na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries subiram depois da inflação ao consumidor nos EUA em agosto ficar dentro do projetado.
Às 9h47, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,555%, em baixa de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,633% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,03%, com recuo de 13 pontos-base ante 14,164%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de preços, registrou deflação de 0,32% em agosto ante julho. A queda de preços foi maior que a projeção de economistas ouvidos pela Reuters, de deflação de 0,29%. Nos 12 meses encerrados em agosto, houve alta de 4,22%, abaixo dos 4,27% projetados.
A abertura do indicador também trouxe alguns números favoráveis. A inflação de serviços desacelerou de 0,54% em julho para 0,03% em agosto, enquanto a taxa dos serviços subjacentes -- que excluem itens mais voláteis -- passou de 0,42% para 0,40% no período, segundo cálculos do banco Bmg.
A inflação dos serviços intensivos em mão de obra acelerou de 0,46% para 0,55%, conforme o Bmg. A taxa média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC passou de 0,26% para 0,22%.
Os dados do IPCA somam-se a outros números da economia divulgados recentemente que apontaram para a desaceleração da atividade econômica e dos preços no Brasil, corroborando as apostas dos investidores de nova redução de 25 pontos-base da taxa básica Selic este mês, com possível novo corte em novembro. Atualmente a Selic está em 14%.
Na esteira da divulgação dos dados, as taxas dos DIs cederam, em movimento que se manteve mesmo após a divulgação da inflação dos EUA. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,4% em agosto, em linha com o projetado pelos economistas em pesquisa da Reuters.
Às 9h44, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha alta de 6 pontos-base, a 4,606%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- mostrava estabilidade, a 4,947%.
No Brasil, os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) também seguem no radar dos investidores, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de parte do caso Master.