As taxas dos DIs fecharam em baixa nesta quinta-feira, impulsionadas pelo recuo dos Treasuries no exterior e por pesquisa que indicou ligeiro avanço de Flávio Bolsonaro sobre Lula, candidato visto com simpatia pelo mercado. Ao longo da sessão, os juros futuros chegaram a subir devido à má recepção fiscal do reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo, com custo previsto de bilhões até 2027. Contudo, o otimismo político e o alívio externo prevaleceram, devolvendo as taxas ao terreno negativo.
As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com baixas, em uma sessão marcada por nova pesquisa eleitoral mostrando o fortalecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto, ainda que ele siga em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O anúncio de reajuste do Bolsa Família durante a manhã foi mal-recebido pelo mercado, impulsionando as taxas, mas durante a tarde elas retornaram para o território negativo.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,61%, com baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,682% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,19%, com queda de 5 pontos-base ante 14,243%.
Divulgada no início do dia, a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois seguem tecnicamente empatados, mas Flávio ampliou ligeiramente sua vantagem numérica. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4% e Lula somava 46,2%.
Essa foi a mais recente de uma série de pesquisas que, nas últimas semanas, sugerem o fortalecimento da candidatura de Flávio -- nome favorito da Faria Lima na disputa com Lula, visto como um empecilho para o ajuste fiscal.
Na esteira da pesquisa, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima de 14,105% (-14 pontos-base) às 9h17. O recuo naquele momento estava em sintonia com o exterior, onde os rendimentos dos Treasuries e o petróleo cediam.
No meio da manhã, porém, o cenário mudou, após o governo Lula anunciar um reajuste de aproximadamente 15% nos benefícios do Bolsa Família, que já valerá para os pagamentos feitos em outubro, levando o piso do programa a R$691 por família, de R$600 antes. O custo estimado da medida é de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027.
O mercado recebeu mal a notícia, com o dólar ganhando força ante o real e as taxas dos DIs passando a exibir altas em toda a curva. Às 11h28, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,365% (+12 pontos-base).
Por trás do movimento estava a percepção de que o governo, mais uma vez, colocou em segundo plano o controle das despesas.
"(O reajuste) só piora a situação, e a resposta do mercado não poderia ser diferente. É péssimo para o fiscal", comentou o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, logo após o anúncio.
"Não tem o menor sentido econômico, mas tem sentido político claro. Essa sinalização é ruim pela ótica que você quiser olhar, e mais uma vez evidencia que Brasília tem pouca ou nenhuma gente que se importa com o equilíbrio fiscal."
Passado o primeiro impacto do anúncio, porém, as taxas futuras retornaram para perto da estabilidade e se firmaram em baixa durante a tarde -- ainda que distantes das mínimas verificadas mais cedo.
Novamente, a perspectiva de que possa haver mudança no Planalto, somada à baixa dos rendimentos dos Treasuries, reduziu os prêmios na curva brasileira.
Ainda nesta quinta-feira o Datafolha divulga sua nova pesquisa para a Presidência.
O noticiário eleitoral acabou mantendo em segundo plano nesta quinta-feira a decisão de política monetária do Banco Central. Na véspera, o BC cortou em 25 pontos-base a taxa básica Selic, para 13,75% ao ano, deixando em aberto o próximo passo na política monetária. A decisão foi anunciada à noite, com os mercados fechados e já após o Federal Reserve ter elevado em 25 pontos-base a taxa norte-americana, para a faixa de 3,75% a 4,00%.
No exterior, o petróleo Brent voltou a ceder, mas ainda seguia em níveis elevados, na faixa dos US$104 o barril no fim da tarde. Já os rendimentos dos Treasuries exibiam baixas firmes, após terem subido na véspera com a decisão do Fed.
Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 7 pontos-base, a 4,937%.