Cerca de 150 mil novas faixas chegam diariamente ao streaming, saturando o mercado a ponto de 20% do catálogo não ter ouvintes, segundo a Luminate. Esse fluxo massivo é impulsionado pela inteligência artificial, que já representa mais de 50% dos uploads na Deezer e um terço na Apple Music. Para enfrentar o desafio técnico de rastrear essas faixas sintéticas, a Luminate desenvolve soluções próprias e defende a cooperação entre plataformas para padronizar a identificação dos conteúdos gerados por IA.
Um volume impressionante de aproximadamente 150 mil novas faixas é carregado diariamente em plataformas de streaming de música. O dado foi divulgado por Rob Jonas, CEO da empresa de pesquisa Luminate, durante sua participação no podcast "On The Record" da Billboard, ressaltando a crescente dificuldade para artistas alcançarem o público em meio a essa enxurrada de conteúdo.
Jonas destacou que uma parcela significativa dessa produção musical sequer é ouvida. Segundo a Luminate, cerca de 20% de toda a música disponível nos serviços de streaming não teve praticamente nenhum ouvinte nos últimos trimestres. A empresa já havia apontado, em seu relatório de fim de ano de 2025, que 21,9% dos 253 milhões de ISRCs rastreados naquele ano não geraram nenhum fluxo de dados.
A identificação de músicas geradas por inteligência artificial dentro desse volume diário de uploads representa um desafio considerável. Rob Jonas admitiu que a Luminate ainda não consegue monitorar a quantidade de música criada por IA, descrevendo a tarefa como "incrivelmente difícil de resolver". Contudo, a empresa já está desenvolvendo uma tecnologia própria para detectar tais conteúdos.
Outras plataformas já compartilham dados sobre a presença de IA. A Deezer afirma que faixas totalmente geradas por IA correspondem a mais de 50% de seus uploads diários, totalizando cerca de 90 mil músicas por dia. A Apple Music, por sua vez, indica que mais de um terço de sua entrada diária é composta por conteúdo de inteligência artificial.
"Acreditamos, de forma geral, que nenhuma empresa conseguirá resolver isso sozinha. Precisamos trabalhar juntos", afirmou Jonas. A companhia está integrando dados de streaming e atribuição autodeclarados de parceiros, além de seus próprios sistemas de detecção.
O CEO explicou que a agregação de sinais de diferentes serviços como Apple, Spotify e Deezer, que também possuem seus próprios sistemas, pode levar a uma resposta mais precisa. O consenso entre múltiplas plataformas na identificação de conteúdo de IA seria um forte indicativo de sua origem, embora divergências de opiniões possam surgir e exigir análises mais aprofundadas no futuro.