O dólar fechou em leve baixa de 0,25%, cotado a R$ 5,1392, superando a alta inicial provocada pela reação negativa do mercado ao reajuste do Bolsa Família, que terá impacto fiscal de R$ 27,8 bilhões até 2027. O recuo da moeda foi impulsionado pelo cenário externo favorável e pelo avanço do senador Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais contra o presidente Lula, movimento bem recebido por investidores que buscam maior rigor fiscal. No ano, a divisa norte-americana já acumula queda de 6,37%.
O dólar fechou a quinta-feira em leve baixa no Brasil, após ter subido mais cedo com o mercado reagindo negativamente ao anúncio de reajuste do Bolsa Família, com impacto fiscal para este ano e o próximo estimado pelo governo em um total de R$27,8 bilhões.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,25%, a R$5,1392. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,37%.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,29% na B3, aos R$5,1515.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou pela manhã um reajuste de aproximadamente 15% nos benefícios do Bolsa Família, que já valerá para os pagamentos feitos em outubro, levando o piso do programa a R$691 por família, de R$600 antes. Segundo a equipe econômica, o aumento assegura reposição da inflação no valor do benefício, que ainda não tinha sido reajustado no governo Lula. O custo estimado da medida é de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027.
A reação negativa do mercado foi imediata, com o dólar ganhando força e atingindo a máxima de R$5,1785 (+0,52%) às 10h41. Operador ouvido pela Reuters chamou a atenção justamente para o aumento das despesas, em um cenário que já é de dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.
O anúncio do governo é mais um fator com potencial para impactar a disputa pela Presidência, em um momento em que Lula tem se enfraquecido nas pesquisas em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No início do dia, a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois seguem tecnicamente empatados, mas Flávio ampliou ligeiramente sua vantagem numérica. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4% e Lula somava 46,2%.
Nas últimas semanas, o fortalecimento da candidatura de Flávio tem favorecido o chamado "trade eleitoral", que se traduz na alta do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).
Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.
Passado o primeiro impacto do anúncio do reajuste do Bolsa Família, o dólar perdeu força e se reaproximou da estabilidade. Durante a tarde, exibiu leves perdas, refletindo o crescimento de Flávio nas pesquisas.
No exterior, a tarde também foi de baixa do dólar ante divisas pares do real como o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,04%, a 100,220.
No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para a rolagem de 1º de outubro.
(Edição de Isabel Versiani)