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Setor de serviços volta a decepcionar no Brasil com retração em agosto

14 out 2026 - 09h07
(atualizado às 10h34)
Resumo
O setor de serviços no Brasil recuou 0,1% em agosto frente a julho e subiu 0,6% na comparação anual, frustrando as expectativas de crescimento do mercado. O resultado reflete a desaceleração gradual da economia sob o impacto de juros altos e da alta dos combustíveis nos transportes, apesar do avanço de 2,1% nos serviços às famílias. Segundo o IBGE, o movimento representa uma acomodação próxima ao pico histórico, mantendo o setor 19,9% acima do patamar pré-pandemia e projetando ritmo moderado no ano.

O desempenho ‌do setor de serviços voltou a decepcionar em agosto, evidenciando a desaceleração gradual da atividade econômica no país poucos dias antes do segundo turno da eleição presidencial, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

O volume do setor caiu 0,1% frente a julho e teve alta de 0,6% sobre ⁠o mesmo mês do ano anterior. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam ‌um crescimento de 0,4% na comparação mensal e uma alta de 1,1% na comparação anual.

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Em julho, o setor de serviços já havia frustrado expectativas de ‌crescimento, mantendo-se estável sobre o mês anterior.

Os novos ‌dados do IBGE mostraram que três das cinco atividades acompanhadas apresentaram retração ⁠em agosto sobre julho: transportes (-0,2%), profissionais, administrativos e complementares (-0,2%) e outros serviços (-1,0%). Já os serviços prestados às famílias cresceram 2,1%, enquanto o segmento de informação e comunicação ficou estável.

"Não é uma virada de chave ou trajetória, o que se vê é uma acomodação do segmento de serviços, visto que mesmo com taxas ‌perto de zero o setor segue perto do pico", afirmou o gerente da pesquisa ‌do IBGE, Rodrigo Lobo.

Para ⁠Lobo, o setor ⁠foi contido no mês principalmente pela pressão dos preços mais altos de combustíveis sobre transporte de ⁠cargas e aéreos.

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O setor de serviços está ‌19,9% acima do nível pré-pandemia (fevereiro ‌de 2020) e 0,3% abaixo do auge da série histórica (outubro de 2025), segundo o IBGE.

A economia brasileira vem mostrando desaquecimento em meio a um cenário de juros elevados, ainda que em queda, e incertezas geopolíticas globais. ⁠Em julho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou retração de 0,5% sobre junho, no terceiro recuo mensal consecutivo do índice.

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, ponderou que, a despeito da retração dos serviços em agosto, o setor ainda mostrou "boa composição". Ela ‌destacou a alta de 2,1% nos serviços prestados às famílias, que têm peso importante no cálculo do PIB.

"O setor de serviços vem mostrando certa estabilidade ⁠nos últimos meses, mas continua mostrando alguma expansão em relação a 2025. Nossa expectativa é que esse ritmo mais moderado continue até o fim do ano", afirmou, em nota, projetando alta de cerca de 1% do setor no ano.

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O Banco Central voltará a se reunir em 3 e 4 de novembro para deliberar sobre os juros, e a expectativa de economistas e analistas de mercado é que promova o sexto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 13,75%.

Antes da decisão do BC, em 25 de outubro, ocorrerá o segundo turno das eleições, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputando a Presidência.

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