Quem é a Quadra Capital, que comprou R$ 15 bilhões em ativos do Master para 'salvar' o BRB

Gestora fundada em 2016 é focada em ativos de risco jurídico e de baixa liquidez; acordo prevê pagamento de até R$ 4 bilhões à vista ao BRB

21 abr 2026 - 12h16
(atualizado às 13h56)

O Banco de Brasília (BRB) fechou um acordo para repassar R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master, que estavam em seu poder, para a gestora Quadra Capital. Em fato relevante divulgado na noite da segunda-feira, 20, o banco informou ter assinado um memorando de entendimento com a gestora para estruturar um fundo de investimentos por meio do qual vai vender parte dos ativos que adquiriu em operações com a instituição de Daniel Vorcaro.

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Dos R$ 15 bilhões, R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões serão pagos à vista pela Quadra, um alívio para a liquidez imediata do BRB. O restante será pago em "cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos".

Quem é a Quadra Capital

A Quadra Capital é uma gestora de recursos independente, fundada em 2016, em São Paulo, por Nilto Calixto, ex-Credit Suisse. Em seu site, a empresa diz gerir mais de 35 fundos de investimento com mandatos amplos, que visam a "alocação em operações transformacionais e de longo prazo".

O foco são ativos de risco jurídico, como direito creditório e precatórios, além de operações estruturadas e o investimento direto em participações societárias. Nas redes sociais, a Quadra se define como uma casa de soluções financeiras, "com disponibilidade de capital flexível e capacidade criativa para construir soluções criativas para os clientes".

"Somos focados na alocação de recursos de longo prazo nas transações que estruturamos para nossos clientes e em investimentos em ativos de baixa liquidez. A possibilidade de monetizar ativos ilíquidos e a flexibilidade do nosso capital são pilares para criação de valor para as contrapartes", diz a companhia.

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Privatização da Codesa

Em março de 2022, a Quadra Capital arrematou por R$ 106 milhões a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) - posteriormente rebatizada como VPorts -, no primeiro leilão de desestatização de autoridade portuária realizada no Brasil. À época, Nilto Calixto afirmou que o negócio era uma espécie de preparação para voos mais altos no setor de infraestrutura, manifestando interesse em uma eventual privatização do Porto de Santos.

"Sabemos que a Codesa foi um ensaio para as privatizações de autoridade portuária e isso faz parte da nossa estratégia de sermos mais ativos e protagonistas no setor de infraestrutura. Sem dúvida o Porto de Santos é algo que nos interessa", disse Calixto.

Segundo ele, a Codesa representou uma mudança na abordagem da Quadra, historicamente concentrada em operações de crédito. "Por uma questão estratégica e pelo mandato de nossos investidores e fundos, entendemos que era essa uma boa oportunidade de entrar como donos do equity", acrescentou. Com a vitória no leilão, a empresa ficou responsável pela administração dos portos de Vitória e Barra do Riacho pelo período de 35 anos.

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