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Promessa de Trump sobre suprimento de energia para data centers gera ceticismo

24 jul 2026 - 08h29
(atualizado às 08h59)

O presidente dos EUA, Donald Trump, ‌anunciou na quinta-feira um compromisso não-vinculante assumido por produtores de energia e data centers dos EUA para financiar ou construir infraestrutura energética capaz de atender às enormes necessidades de energia relacionadas à IA, ao mesmo tempo em que também prometem proteger os consumidores dos altos custos da energia elétrica.

Grupos de defesa do consumidor e outros críticos do governo, no entanto, rejeitaram o compromisso como uma promessa vazia aos consumidores, à medida que Trump tenta equilibrar seu apoio aos data centers que consomem muita ⁠energia com a indignação pública diante do aumento das contas de luz.

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Trump vem promovendo uma expansão agressiva da infraestrutura relacionada à IA, ‌como parte de uma agenda econômica que inclui vencer a corrida pela IA contra a China.

Mas as demandas dos data centers sobre as linhas de transmissão sobrecarregadas, agravadas pela escassez de mão de obra no setor elétrico e pelo descomissionamento de ‌usinas, tornaram o aumento dos custos de energia uma questão delicada para os ‌eleitores às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro.

"Sob esse plano inovador, as maiores empresas de tecnologia ⁠dos Estados Unidos se comprometeram formalmente a financiar ou construir toda a infraestrutura energética necessária para atender à demanda que estão impondo à rede elétrica", disse Trump em um evento da Agência de Proteção Ambiental (EPA) com a presença de governadores republicanos, CEOs do setor de energia e desenvolvedores de data centers.

"Portanto, elas vão financiar todas essas necessidades de energia elétrica, e estamos concedendo a elas o direito de construir suas próprias usinas de energia."

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A expectativa é de que os preços médios anuais da energia elétrica ‌para residências aumentem 5,1% em 2026 e 2,4% em 2027, antes da inflação, informou a Administração de Informações sobre Energia.

Reuniões comunitárias em ‌muitos Estados se estenderam até altas horas ⁠da madrugada, à medida que os ⁠moradores se opõem à construção de data centers, empreendimentos considerados barulhentos, prejudiciais ao meio ambiente e um fator para o aumento das contas ⁠de luz.

A visão de Trump foi mais positiva.

"Existem comunidades que realmente querem ‌os data centers e, francamente, essas são ‌as comunidades inteligentes", disse ele.

Os críticos, por sua vez, questionaram se o compromisso voluntário impedirá o aumento das contas à medida que a demanda por energia para IA se acelera. Jesse Lee, consultor sênior do grupo de defesa Climate Power, criticou a falta de mecanismos de fiscalização no compromisso, chamando-o de "promessa de dedinho".

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"Em vez de permitir a entrada de ⁠energia limpa, acessível e escalável na rede, Trump pressionou ativamente as empresas de tecnologia a abastecer seus data centers com combustíveis fósseis, o que aumentará os custos das concessionárias e exporá os norte-americanos a poluentes tóxicos", disse Lee.

Josh Levi, presidente da Data Center Coalition, defendeu o setor, que, segundo ele, sustenta serviços essenciais como consultas de telessaúde, salas de aula digitais, sistemas bancários seguros e redes de controle de tráfego aéreo.

Governadores republicanos da Geórgia, ‌Idaho, Louisiana e Nebraska participaram do evento de quinta-feira, juntamente com os diretores executivos Drew Marsh, da Entergy Corp, e Chris Womack, da Southern Co. Marsh e Womack fazem parte de um grupo de CEOs das 15 maiores empresas de ⁠energia dos EUA que detêm quase US$1 bilhão em remuneração baseada em ações, de acordo com uma análise da Reuters. Esse valor deve continuar aumentando à medida que as empresas investem para consertar a rede elétrica dos EUA.

No centro da batalha política em torno dos data centers está o PJM Interconnection, maior operador de rede elétrica dos EUA.

"O PJM é o rosto de um problema nacional", segundo analistas da Siebert Williams Shank, que citaram a dificuldade do PJM em suportar um consumo de energia sem precedentes, juntamente com o desligamento de usinas, o congestionamento das linhas de transmissão e gargalos na construção.

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"Os data centers de IA não criaram todos os desafios enfrentados pelos sistemas elétricos, mas amplificaram quase todos eles."

O PJM está enfrentando custos crescentes em várias frentes, ao gerenciar o fluxo de eletricidade para 67 milhões de pessoas, de Washington, D.C., a Chicago.

No último leilão do mercado de capacidade do PJM, que garante energia de fontes geradoras para os horários de pico de demanda, os data centers representaram US$6,3 bilhões em encargos do mercado de capacidade, ou quase 40% do total. Esses encargos acabam aparecendo nas contas mensais dos clientes.

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