A indústria de veículos do Brasil espera ter um crescimento de 3,7% na produção em 2026 em cenário de "otimismo contido", segundo a associação de montadoras Anfavea.
De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, a associação prevê a produção de 2,74 milhões de veículos no ano, sendo cerca de 2,59 milhões de modelos leves e 154 mil pesados, ante 2,64 milhões fabricados em 2025.
Em relação às vendas, o grupo espera crescimento de 2,7% nos emplacamentos, totalizando cerca de 2,76 milhões de veículos.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o clima é de "otimismo contido", apesar da previsão de crescimento do mercado e da produção.
"O ano ainda está em aberto para muitos aspectos. Como quando a taxa de juros começar a cair, se é que vai cair de fato, então ainda traz algumas instabilidades", afirmou. "A gente vai precisar revisar trimestralmente com o desenrolar dos fatos."
No mês de dezembro de 2025, a Anfavea teve queda de 15,8% na produção em dezembro ante novembro, para 184,5 mil unidades.
Os licenciamentos avançaram 17,1% no período, para 279,4 mil veículos.
No ano, a produção brasileira de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus cresceu 3,5%, para 2,64 milhões de veículos. As vendas tiveram alta de 2,1%, para 2,69 milhões de unidades.
Calvet também destacou que a assinatura do acordo do Mercosul com a União Europeia não deve ter efeito em 2026 e, embora positivo, traz desafios para o setor.
"A gente vai fazer também uma transição para um novo modelo tributário. Nós temos questões logísticas, de infraestrutura e de segurança jurídica no país."
Apesar dos desafios, o setor vê oportunidades de exportação para a UE, como, por exemplo, de sistemas de motores e transmissões, acrescentou.