A postura da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em relação à política monetária ficou sob os holofotes nesta terça-feira, quando um parlamentar questionou a ministra das Finanças sobre se ela havia pressionado o chefe do banco central a não aumentar ainda mais os juros.
Embora seja legalmente independente, o Banco do Japão sempre enfrentou pressões políticas para aumentar o estímulo ou interromper as quedas indesejadas do iene com aumentos dos juros.
As especulações de que a premiê Takaichi pressionaria o Banco do Japão a ir devagar com os aumentos dos juros aumentaram depois de uma reportagem informando que ela expressou reservas sobre o aperto adicional em uma reunião com o presidente do banco central, Kazuo Ueda, no mês passado.
Questionada sobre a reportagem por um parlamentar da oposição, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, disse que não tinha nada a acrescentar além do que Ueda disse a repórteres após a reunião, inclusive que Takaichi não fez nenhuma solicitação específica.
"Em geral, os meios específicos de política monetária estão sob a jurisdição do Banco do Japão. Acredito que deva ser assim", disse Katayama ao Parlamento.
"Espero também que o Banco do Japão continue a trabalhar em estreita colaboração com o governo e busque alcançar de forma estável uma inflação de 2%, impulsionada não por fatores de pressão de custos, mas acompanhada de ganhos salariais. Tenho certeza que a primeira-ministra tem a mesma opinião", disse ela.
Katayama não quis entrar em detalhes, chamando a questão de "assunto altamente sensível" que depende do equilíbrio de duas cláusulas legais - uma que garante a autonomia do Banco do Japão na definição da política monetária e outra que exige que suas decisões permaneçam "mutuamente compatíveis" com a política econômica do governo.
Em dezembro, o banco central elevou sua taxa de juros de curto prazo para 0,75%, o maior patamar em 30 anos, com base na visão de que o Japão estava prestes a atingir sua meta de inflação de 2% de forma duradoura. Ueda sinalizou que o banco está pronto para continuar aumentando os juros, mas não disse quando isso poderia acontecer.
A escalada do conflito no Oriente Médio complica a decisão do banco central sobre os juros, uma vez que o aumento dos preços do petróleo ameaça prejudicar uma economia fortemente dependente das importações de combustível, além de ampliar a já crescente pressão inflacionária.