Os preços internacionais do petróleo voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, refletindo a escalada de tensões no Oriente Médio e as incertezas em torno de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorre em meio a disputas estratégicas pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás natural.
Nesta quinta-feira, 23, o barril do petróleo tipo Brent registrava alta de menos de 1%, sendo negociado em torno de US$ 103, após já ter superado a barreira dos US$ 100 no dia anterior pela primeira vez em duas semanas. Já o West Texas Intermediate (WTI) operava próximo de US$ 94, também com avanço de quase 1%.
Os preços da energia subiram acentuadamente desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã no final de fevereiro, e o Irã respondeu bloqueando efetivamente a navegação pelo estreito. Os Estados Unidos retaliaram com um bloqueio naval que impediu dezenas de navios de entrar ou sair de portos iranianos.
Fatih Birol, diretor-geral da Agência Internacional de Energia, afirmou em entrevista à CNBC que o mundo enfrenta a "maior ameaça à segurança energética da história", citando a perda de cerca de 13 milhões de barris de petróleo por dia em meio às interrupções ligadas ao conflito com o Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Ele alertou que a crise pode impactar o crescimento global, impulsionar a inflação e levar à escassez, incluindo uma potencial crise de combustível de aviação na Europa em poucas semanas.
As perspectivas de uma trégua duradoura vêm sendo colocadas em risco uma vez que os dois países intensificaram as ações militares e estratégicas. Na quarta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter apreendido dois navios cargueiros nas proximidades do estreito, enquanto forças americanas mantêm um bloqueio naval que restringe o acesso de embarcações a portos iranianos.
De acordo com o presidente Donald Trump, em declaração na terça-feira, o governo do Irã está "em colapso financeiro" devido ao bloqueio que deixou o país sem "dinheiro".
Segundo o Pentágono, militares dos EUA interceptaram, na quinta-feira, o petroleiro M/T Majestic X no Oceano Índico, embarcação alvo de sanções por transportar petróleo iraniano. No início da semana, outra operação envolvendo membros da Marinha SEAL abordou o navio M/T Tifani, também ligado ao transporte de petróleo do Irã.
O aumento das tensões tem impacto direto sobre os mercados globais. Além da alta do petróleo, bolsas internacionais registraram queda, refletindo a aversão ao risco por parte dos investidores.
Na quarta, a Karex, maior fabricante de camisinha do mundo, confirmou o aumento nos preços de seus produtos em até 30%. A empresa produz cerca de cinco bilhões de preservativos por ano e atribuiu o aumento dos preços à alta dos preços das matérias-primas, às interrupções no transporte marítimo global e aos custos mais elevados de frete.
Desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram operações militares contra o Irã, os preços da energia acumulam forte alta. Em resposta, Teerã passou a restringir a navegação no Estreito de Ormuz, enquanto Washington intensificou medidas para pressionar a economia petrolífera iraniana.
Todo esse cenário eleva preocupações sobre o abastecimento global e adiciona volatilidade aos mercados, uma vez que qualquer interrupção prolongada no fluxo de petróleo pela região pode afetar significativamente a oferta mundial e pressionar ainda mais os preços. /NYT