Os preços do petróleo subiram mais de 2% nesta terça-feira, com a perspectiva de interrupções nas exportações de petróleo do Irã ofuscando o possível aumento da oferta da Venezuela.
Os contratos futuros do Brent saltaram US$1,60, ou 2,5%, para fechar a US$65,47. O petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos fechou a US$61,15 por barril, com alta de US$1,65, ou cerca de 2,8%.
"O mercado de petróleo está criando alguma proteção de preço contra fatores geopolíticos", disse John Evans, analista da PVM Oil Associates, destacando a possível exclusão das exportações do Irã, problemas na Venezuela, negociações sobre a guerra da Rússia na Ucrânia e o interesse dos Estados Unidos em assumir o controle da Groenlândia.
O Irã, um dos principais produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, está enfrentando suas maiores manifestações contra o governo em anos. A repressão do governo contra os manifestantes, que, segundo uma autoridade iraniana, já matou cerca de 2.000 pessoas e levou à prisão de milhares de outras, provocou um alerta do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre uma possível ação militar.
Trump disse na segunda-feira que qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma taxa tarifária de 25% sobre qualquer negócio realizado com os Estados Unidos. A China é o maior cliente do petróleo iraniano.
"Não acho que a China, por exemplo, vá se afastar dos barris iranianos, mas se o fizesse, e se todos o fizessem, isso reduziria os suprimentos globais em 3,3 milhões de barris por dia que atualmente são fornecidos ao mercado pelo Irã", disse Bob Yawger, da Mizuho Securities em Nova York.
Na terça-feira, Trump postou em seu site de mídia social que os manifestantes no Irã deveriam "assumir suas instituições" e que "a ajuda está a caminho".
Trump disse que havia cancelado reuniões com autoridades iranianas até que as mortes dos manifestantes parassem. Os preços subiram brevemente mais de 3%, atingindo uma alta de três meses após a declaração.
Também sinalizando um abastecimento mais restrito à frente, quatro petroleiros gerenciados pela Grécia foram atingidos por drones não identificados nesta terça-feira. Os petroleiros estavam no Mar Negro a caminho do carregamento de petróleo no terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa, disseram oito fontes à Reuters.