Os preços do petróleo caíram cerca de 7%, atingindo a menor cotação em três semanas nesta segunda-feira, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou um possível novo ataque ao Irã na esperança de fechar um acordo rápido que pudesse aumentar a oferta de petróleo do Golfo Pérsico.
Os contratos futuros do Brent com vencimento no mês seguinte caíram US$6,35, ou 7,0%, fechando a US$83,77 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caiu US$4,33, ou 5,1%, fechando a US$80,34.
Esse foi o menor fechamento do Brent desde 13 de julho, em parte devido ao início da negociação dos futuros de outubro — mais baratos — como contrato de vencimento mais próximo, após o vencimento, na sexta-feira, do contrato de setembro, mais caro. Os preços do Brent para outubro caíram 4,7% em relação ao fechamento do contrato de outubro na sexta-feira.
O Irã afirmou nesta segunda-feira que não havia negociações em andamento com os EUA nem planos para quaisquer reuniões, contrariando Trump, que havia citado negociações que, segundo ele, ocorreriam naquela tarde como justificativa para cancelar os ataques.
No fim de semana, Trump repetiu um padrão que vem se repetindo ao longo dos últimos cinco meses: anunciar planos de "ataques em grande escala" contra o Irã, apenas para cancelá-los no último minuto.
Trump afirmou nesta segunda-feira que as negociações com o Irã "estão ocorrendo neste momento", acrescentando que o Irã enfrentaria uma "decapitação" caso Teerã não concordasse com um pacto para pôr fim ao conflito.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, rejeitou a alegação, afirmando que não estavam ocorrendo negociações com os Estados Unidos e que nenhuma reunião estava agendada. O Irã não tinha planos de receber delegações estrangeiras nem de enviar negociadores ao exterior nos próximos dias, disse ele.
"A forte liquidação de hoje... nos futuros de petróleo parece mais uma reação exagerada aos comentários de Trump de que um acordo com o Irã é iminente, após suas ameaças no fim de semana de ataques em grande escala que também foram sugeridos como iminentes", afirmaram analistas da consultoria de energia Ritterbusch and Associates em uma nota.
"Trump continua com um padrão de, ocasionalmente, fazer o mercado de petróleo cair ao impedir um avanço sustentado nos preços da gasolina", disseram os analistas da Ritterbusch.
Nesta segunda-feira, Trump voltou a pedir às empresas petrolíferas que reduzissem os preços da gasolina para os consumidores dos EUA, repreendendo a Chevron e a Exxon Mobil por lucrarem demais.
Além da queda nos futuros do petróleo, os preços tanto da gasolina nos EUA quanto do diesel caíram cerca de 5% durante o pregão de segunda-feira.