Os preços do petróleo caíram cerca de 5% nesta terça-feira, atingindo a menor cotação em duas semanas, impulsionados por esperanças cautelosas de que a trégua nos combates entre os Estados Unidos e o Irã leve a negociações para pôr fim à guerra, embora tréguas anteriores tenham se mostrado apenas temporárias.
Os contratos futuros do Brent caíram US$4,27, ou 4,8%, fechando a US$84,09 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caiu US$3,35, ou 4,1%, fechando a US$79,26.
Após cair cerca de 16% em três dias, o Brent fechou em seu nível mais baixo desde 13 de julho e o WTI, em seu nível mais baixo desde 16 de julho.
Embora os dois lados tenham parado de atacar um ao outro, estão longe de resolver suas divergências que levaram ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que, antes da guerra, era usado para o trânsito de cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo.
O Irã negou estar buscando retomar as negociações com os EUA, contrariando as declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que informou que há "boas negociações" em andamento. Trump fez tais declarações em várias ocasiões — acompanhadas de ameaças de retomar os ataques —, mas os iranianos se mantiveram firmes.
Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo Pérsico para administrar o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de taxas voluntárias pelo seu uso, segundo informaram à Reuters uma fonte do Golfo e um diplomata ocidental. O objetivo era servir de base para pôr fim à interrupção do comércio pelo estreito causada pela guerra.
O Irã, no entanto, rejeitou o plano de Omã e propôs ao país um acordo temporário para reabrir o Estreito de Ormuz, segundo o qual um sentido do tráfego passaria por águas iranianas e parte da rota oposta também estaria em águas iranianas, informou o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, à televisão estatal nesta terça-feira.
"O mercado entende que a situação está caótica e os preços estão em baixa porque as duas partes beligerantes (os EUA e o Irã) não se atacaram mutuamente nos últimos dias", afirmou Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho, em um relatório. Ele destacou a contínua falta de tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz e os tiroteios no Mar Vermelho pela milícia houthi, apoiada pelo Irã, no Iêmen.