Petrobras mantém entregas de GLP leiloado apesar de ordem de Lula para cancelar certame, dizem fontes

2 abr 2026 - 17h42

A Petrobras está mantendo entregas ‌de volumes de gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, leiloados nesta semana, a distribuidoras, apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter anunciado nesta quinta-feira que irá mandar cancelar o certame, disseram duas fontes à Reuters.

O leilão comercializou 70 mil toneladas de GLP em 31 de março, para entrega em abril a partir de sete polos da ⁠companhia, de acordo com uma das fontes. Em um dos polos, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc/RJ), ‌a companhia chegou a registrar um ágio de mais de 100% na comercialização do produto, disse essa pessoa.

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A fonte pontuou que a Petrobras tem optado por atender a maior parte ‌do volume de GLP demandado no mercado por meio de ‌contratos com preços que sofrem pouca oscilação, em meio a uma política de ⁠comercialização que evita repassar volatilidades do mercado externo ao mercado doméstico.

Entretanto, a petroleira comercializa uma parcela menor do que é demandado pelo mercado via leilões, onde os preços superam os valores dos contratos.

"Isso é a forma que a Petrobras criou para ela fazer o 'abrasileiramento' de preços. Então ela diz para o Lula 'ah, eu estou vendendo produto a R$2.900 a tonelada e não ‌aumento há não sei quantos meses'. Só que ela pega 10%, 15%, 20% do produto e ‌leiloa e aí nesse leilão ⁠ela recupera (preço)", disse a ⁠fonte.

Essa fonte explicou que os volumes leiloados costumam ser bombeados antes dos demais volumes previstos em contratos, então ⁠é possível que todo o montante do último ‌leilão seja entregue até o fim ‌de semana.

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Uma segunda fonte confirmou que o bombeio de hoje chegou com preços que refletem o leilão realizado em 31 de março.

Procurada, a Petrobras não respondeu imediatamente se planejava atender ao pedido de Lula e cancelar o leilão.

LULA MANDOU CANCELAR

Mais cedo, nesta ⁠quinta-feira, Lula disse que determinaria a anulação do leilão de GLP, afirmando que a população não tem condições de arcar com o custo do aumento de preços.

A petroleira já havia cancelado, em março, sem explicações ao mercado, leilões de diesel e gasolina, após o diesel ter sido negociado nos certames entre R$1,80 e R$2,00 ‌por litro acima do preço de referência das refinarias da própria companhia, segundo entidades do setor.

Posteriormente, a petroleira optou por escoar os volumes que seriam leiloados por meio de volumes ⁠extras em contratos já existentes, garantindo aos clientes preços mais baixos do que aqueles que seriam praticados em leilão.

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Os preços derivados do petróleo dispararam ao longo de março no mercado internacional, com a escalada da guerra no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo de referência Brent subir de US$70 o barril no fim de fevereiro para mais de US$100 atualmente.

Os valores dos combustíveis se tornaram uma grande preocupação para Lula, que busca a reeleição neste ano, e também vêm se tornando um problema crescente para a Petrobras, que tenta ao mesmo tempo agradar seu acionista controlador (o governo) e cumprir regras internas que a impedem de operar com prejuízo ou sem remuneração adequada a pedido do governo.

Embora a Petrobras seja uma grande produtora de combustíveis, o Brasil ainda depende de importações, o que torna o país mais vulnerável às flutuações dos preços internacionais.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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