A Petrobras realizou uma descoberta de hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá, em um passo importante na direção de reposição de reservas para a próxima década, disse a presidente da companhia, Magda Chambriard, nesta sexta-feira.
Em comunicado ao mercado, a empresa informou que foi constatado um "intervalo portador de hidrocarbonetos" através de perfis elétricos e indicativos em rocha.
A perfuração do poço teve início em outubro e permanece em curso, visando a continuidade exploratória. Outros três poços estão previstos para serem perfurados no mesmo bloco FZA-M-59, leiloado em 2013, sob regime de concessão.
Na indústria de petróleo, quando uma companhia faz uma descoberta de hidrocarbonetos, precisa perfurar novos poços em localidades próximas para avaliar de forma mais precisa o tamanho do reservatório e outras características, de forma a entender se o campo pode ser desenvolvido.
"Foi uma descoberta, mas ainda não é uma descoberta comercial", ponderou Chambriard, à Reuters.
"Vamos continuar os trabalhos lá para ver a comercialidade."
A empresa não deu mais detalhes sobre as características dos hidrocarbonetos encontrados ou sobre a distância dos intervalos da descoberta.
Chambriard ressaltou que a descoberta trouxe "uma alegria danada" e que é um passo adiante na busca pela reposição de reservas a partir de 2034-2035, quando o pré-sal deve atingir seu pico de produção para começar a declinar.
A Petrobras obteve no ano passado a autorização do órgão ambiental federal Ibama para a perfuração do poço, chamado de Morpho, após anos de debates com a Petrobras sobre riscos ambientais associados ao projeto.
A Foz do Amazonas é a bacia tida como a de maior potencial para a abertura de uma nova fronteira exploratória no Brasil, mas o avanço da indústria na região também enfrenta forte resistência de ambientalistas e outros grupos, diante dos amplos desafios socioambientais agregados.
O local onde a Petrobras realiza a perfuração compartilha geologia semelhante à da vizinha Guiana, onde a ExxonMobil está desenvolvendo grandes campos de petróleo recém descobertos.
Em nota, o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que representa grandes petroleiras com atuação no Brasil, como a própria Petrobras, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, afirmou que "o achado confirma que o Brasil possui perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e longo prazo".
A Petrobras é a operadora do bloco FZA-M-59 e detém 100% de participação na área. O poço Morpho está localizado a cerca de 175 km da costa do Estado do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros.