PECs com parecer favorável em comissão da Câmara definem 8h diárias e 36h semanais de trabalho

Relator das propostas na CCJ, o deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA) divulgou parecer favorável às PECs que reduzem a jornada de trabalho

15 abr 2026 - 12h01

BRASÍLIA - O deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA) divulgou parecer favorável a propostas de emenda à Constituição (PEC) que definem o teto de 8h diárias e 36 horas semanais de trabalho. Ele é relator de duas PECs na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, uma apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) em 2019, e outra pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), em 2026.

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O parecer de Azi não trata do mérito das PECs, ou seja, dos conteúdos propostos. A competência do relator na CCJ é examinar somente a admissibilidade constitucional, isto é, se as propostas não afrontam os princípios constitucionais. Posteriormente, uma comissão especial deve ser instalada pela Câmara para analisar o mérito da PEC, por exemplo, se a escala deve ser 5x2, 4x3 ou se não mexerá nos dias trabalhados por semana.

A PEC de Reginaldo Lopes institui na Constituição um dispositivo que prevê "duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e trinta e seis semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho". Segundo o texto, a nova regra entra em vigor dez anos após a data da publicação da emenda constitucional.

A PEC de Erika Hilton também prevê um teto de oito horas diárias e 36 semanais, mas com diferenças. O dispositivo adiciona "jornada de trabalho de quatro dias por semana", o que transformaria a escala 6x1 em escala 4x3. Além disso, o texto define que a emenda constitucional entra em vigor um ano após a data da publicação.

Em seu parecer, Azi argumentou que a proposta de redução da jornada para 36 horas, tal como sugerido pelas PECs, poderia impactar os pequenos negócios e aumentar o trabalho informal. "R$ 158 bilhões será o custo sobre a folha de pagamentos de empresas do País, em um cenário conservador, caso o projeto de reduzir a jornada legal de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas seja aprovado. Esse montante seria ainda maior — de R$ 610 bilhões — se a proposta de diminuir a jornada para 36 horas semanais prosperasse", disse, citando estudo da Fecomércio.

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O deputado também alegou haver uma inconsistência nas cargas horárias semanal e diária das propostas. "A PEC estabelece a jornada diária de 8 horas e a semanal de 36 horas, cumpridas em quatro dias. Entretanto, se o empregado trabalhar as 8 horas diárias em quatro dias da semana, irá cumprir uma jornada semanal de 32 horas e não 36", escreveu.

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