Parecer preliminar de técnicos do TCU constatou que BC agiu corretamente nas investigações do Master

Em nota, ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso na Corte, diz que manifestações das áreas técnicas 'não se confundem com as decisões do colegiado'

10 jan 2026 - 19h41
(atualizado às 20h50)

BRASÍLIA - Auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) constataram que o Banco Central agiu corretamente nas suas investigações sobre o Banco Master, disseram pessoas a par do tema ao Estadão/Broadcast. Essa instrução preliminar está sob sigilo, assim como o restante do processo.

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A peça foi elaborada antes de o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, ter publicado um despacho determinando inspeção in loco na autoridade monetária, na última segunda-feira, 5. Na quinta-feira, 8, Jesus acolheu um recurso do BC, suspendendo a inspeção até uma decisão do plenário do TCU. A existência do parecer foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast.

Na noite deste sábado, 10, Jhonatan de Jesus divulgou nota à imprensa na qual diz que "manifestações das áreas técnicas do TCU não se confundem com as decisões do colegiado". "O parecer citado é expressamente preliminar e foi elaborado apenas com base na resposta apresentada pelo Banco Central, sem acesso à documentação primária do processo."

Segundo a nota do ministro, a unidade técnica foi responsável por propor a realização da inspeção in loco no BC para "qualificar a análise antes de qualquer juízo conclusivo".

Segundo apurou a reportagem, os auditores do TCU sinalizaram em análise preliminar que o BC aparentemente teria agido corretamente em todos os passos que levaram à liquidação do Master, decretada no dia 18 de novembro.

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A investigação do TCU sobre a liquidação do Master pelo BC começou no apagar das luzes de 2025. No despacho que iniciou o processo, buscando apurar uma eventual "precipitação" da autoridade monetária, Jesus chegou a mencionar a possibilidade de adotar medidas cautelares contra a autarquia.

O parecer preliminar dos técnicos não ia de encontro à adoção dessas medidas cautelares, mas reduziria as chances de se materializarem, por apontar que o BC aparentemente teria agido corretamente no caso, segundo uma pessoa a par do tema.

A atuação do ministro Jhonatan de Jesus no caso tem provocado questionamentos sobre os limites da Corte de Contas no processo. Especialistas e técnicos do TCU ouvidos pelo Estadão dizem que o tribunal não poderia interferir na liquidação determinada pelo Banco Central e muito menos agir para tentar reverter a decisão da autoridade monetária.

Na segunda-feira, 12, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, se reunirá com o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho.

Ontem, em entrevista ao SBTNews, Vital do Rêgo afirmou que não é papel da Corte de Contas eventual tentativa de reversão da liquidação do Master. Ele disse, contudo, que há competência do Tribunal para a fiscalização do processo e da atuação do Banco Central na questão. Vital do Rêgo também adiantou que o processo deve ser concluído em breve.

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