Operadores veem caminho claro para BCE manter juros mais altos por mais tempo

13 abr 2026 - 09h54

Os operadores esperam que o Banco Central Europeu (BCE) se incline para uma ‌posição mais rígida contra a inflação, mantendo as taxas mais altas por mais tempo e oferecendo pouca perspectiva de flexibilização, mesmo no médio prazo, já que o choque no setor de energia decorrente da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã é visto como persistente.

Os militares dos EUA disseram que iniciarão um bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos e áreas costeiras do Irã nesta segunda-feira, depois que as negociações do fim de semana não ⁠conseguiram chegar a um acordo para pôr fim à guerra.

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O aumento nos preços do petróleo e do gás desde o início ‌do conflito fez com que os operadores passassem a precificar até 80% de chance de um aumento de juros na reunião de abril do BCE e quase quatro aumentos em 2026. Esse é um forte contraste com as expectativas que ‌prevaleciam antes do início da guerra - uma chance de aproximadamente 40% de ‌um corte nos juros neste ano.

Como resultado, os rendimentos de dois anos - os mais sensíveis às mudanças nas expectativas ⁠de taxas e inflação - aumentaram acentuadamente na maioria dos países.

Se os juros permanecerem mais altos por mais tempo, as condições financeiras se apertarão, o crescimento desacelerará e os custos do serviço da dívida para os governos aumentarão, aumentando a pressão fiscal, especialmente para os países altamente endividados da zona do euro.

Os rendimentos dos títulos de 10 anos da Alemanha estão agora acima de 3% e os prêmios dos rendimentos dos títulos da Itália e da França sobre os títulos da dívida alemã atingiram seu nível ‌mais alto em 10 e 5 meses, respectivamente, no final de março.

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BCE DEVE AGIR MAIS RÁPIDO DO QUE EM 2022

Os analistas afirmaram ‌que o BCE subestimou a inflação em ⁠2022 e provavelmente agiria mais ⁠cedo desta vez para evitar os efeitos de segunda ordem, que se referem ao fato de a inflação se tornar autossustentável à medida ⁠que o comportamento inicial de fixação de preços se espalha pelos salários ‌e preços.

As preocupações com os efeitos de ‌longo prazo continuam a pesar, com os rendimentos dos títulos de longo prazo também subindo, já que as autoridades da UE e do BCE alertaram sobre as consequências duradouras dos danos à infraestrutura de energia, mesmo que um acordo de paz imediato fosse alcançado.

"Se o conflito com o Irã persistir, o BCE poderá, em última instância, ⁠realizar mais de dois aumentos e até mesmo considerar medidas de 50 pontos-base", disse Reinhard Cluse, economista-chefe para a Europa do UBS.

Os mercados estão projetando o aumento das taxas nos próximos 15 meses, com os operadores esperando uma taxa básica de cerca de 2,6%, um pouco abaixo de 2% antes do início da guerra.

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"Com esse alto nível de incerteza, o foco está principalmente na inflação", disse Luca Pennarola, economista sênior do BNP Paribas. "Definitivamente, ‌podemos ver o BCE realizando aumentos de mais de 75 pontos-base. Não vejo um limite para isso, para ser honesto."

"Acho que os mercados estão subestimando os efeitos adversos sobre o crescimento dos preços mais altos do petróleo", disse Carsten Brzeski, ⁠chefe de estratégia macro do ING, referindo-se à perspectiva da taxa de juros de médio prazo.

Brzeski espera dois aumentos nos juros até junho e um corte em dezembro se o Estreito de Ormuz não for reaberto antes do verão (no Hemisfério Norte), e nenhuma mudança nos juros se ele for aberto antes do verão.

As taxas a termo de curto prazo do euro, que acompanham de perto os preços do petróleo, registraram o maior aumento mensal de todos os tempos, já que o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para cerca de um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás.

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Um indicador de mercado das expectativas de inflação mostrou que os investidores continuam esperando que o BCE controle as pressões sobre os preços, vistas ligeiramente acima de 2% no médio prazo.

"Em parte, isso se deve à credibilidade que o BCE ganhou após a crise Rússia-Ucrânia: eles demonstraram que foram capazes de trazer a inflação de volta para 2%", disse Silvia Ardagna, chefe de pesquisa econômica europeia do Barclays.

"Mas também é o fato de que todos nós estamos operando sob a suposição de que o Estreito de Ormuz será reaberto", acrescentou ela.

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