Mais longevo ministro à frente do Ministério da Fazenda em um período democrático, Guido Mantega vive seus últimos meses na cúpula do governo Dilma Rousseff. A presidente afirmou que, se reeleita, Mantega será substituído.
A notícia da saída de Mantega coincide com o período de baixa na economia do País, que entrou em recessão técnica após retração do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiro e segundo trimestres deste ano.
Apesar disso, tanto Dilma quanto Mantega disseram que a substituição no Ministério da Fazenda acontece por “motivos pessoais”. “Minha mulher me disse que mais um mandato e eu estou fora de casa”, disse Mantega em uma entrevista ao jornal O Globo.
Ele assumiu o Ministério em março de 2006, último ano do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além das medidas de incentivo ao consumo e desonerações de tributos, Mantega ficou marcado como um ministro que deu boas declarações à imprensa. Confira algumas das frases mais célebres do ministro:
"Eu e a torcida do Corinthians e do Flamengo estávamos prevendo [crescimento maior do País]", disse em maio deste ano, na Câmara dos Deputados;
“O Brasil já estaria de quatro em outra situação, estaria de joelhos, estaria recuando em todos os indicadores”, em setembro de 2008, ano em que estourou a crise financeira mundial;
“Minha previsão é de [crescimento de] 5,5% para 2011 e nos próximos anos”, afirmou em 2010, errando por muito;
“Vazamentos sempre ocorrem. Se você olhar para o passado, vários aconteceram”, em 2010, durante um escândalo envolvendo quebra de sigilos fiscais da Receita Federal, secretaria subordinada ao Ministério da Fazenda;
“Há uma guerra cambial não declarada que vem à tona. Pusemos o dedo na ferida de propósito”, disse, em 2010, na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI);
“Eu não quero ser candidato, já apanho bastante como técnico, como ministro da Fazenda", afirmou em agosto de 2011, durante audiência pública no Senado;
“O FMI prevê que o Brasil será a quinta economia em 2015, mas eu acredito que isso ocorrerá antes”, declarou Mantega durante uma entrevista coletiva em São Paulo, em dezembro de 2011 – atualmente, o País é a sétima maior economia;
"Nunca vi ninguém ser demitido por otimismo. Já vi pelo contrário, por pessimismo", disse após a revista The Economist publicar uma matéria sugerindo que a presidente Dilma o substituísse no Ministério da Fazenda;
"Minha bola de cristal pode ter tido alguns defeitos passageiros, mas ela costuma funcionar", disse em março de 2013, no Senado, sobre as previsões de crescimento que não se confirmaram;
"Não vamos chorar o leite derramado, vamos tocar em frente”, afirmou em agosto de 2013, sobre o clima de desconfiança com a economia do País no primeiro semestre;
“Pibinho é o da União Europeia, o nosso é pibão!”, afirmou em dezembro de 2009 e acrescentou: “União Europeia, positivo 0,4%. Esse é que é pibinho! Da Espanha, Alemanha, Estados Unidos... esses sim. Reino Unido, negativo.” Naquele ano, a economia brasileira teve queda de 0,2%;
“É uma piada, vai ser muito mais do que isso”, disse em junho de 2012, rebatendo análise do Credit Suisse, que projetava que a economia brasileira cresceria 1,5% naquele ano – o crescimento do PIB foi de 1%.