Nubank prevê início de operação nos Estados Unidos em até 18 meses

Segundo cofundadora Cristina Junqueira, empresa que já atua no Brasil, México e Colômbia precisa criar marca mais global, o que leva tempo

11 mar 2026 - 13h04

A cofundadora do Nubank e CEO da nova operação nos EUA, Cristina Junqueira, disse que há ainda uma lista de pendências para a fintech avançar antes de começar a operar efetivamente no mercado americano, mas em até 18 meses deve abrir no país.

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"Em até 18 meses vamos inaugurar o Nubank America do Norte", disse em uma entrevista por vídeo da fintech. Em janeiro, o Nubank recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC, em inglês). Agora, faltam os avais do Federal Reserve (Fed) e da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC).

Para operar nos EUA, Junqueira disse que o Nubank poderia ter buscado outras licenças mais simples e rápidas, mas decidiu optar "pelo padrão ouro" das licenças bancárias no país, que é uma licença nacional federal. Esse passo permite mais flexibilidade em termos de modelos de negócios e de produtos que a fintech pode oferecer nos EUA.

Nubank diz ter menos de 10% dos recursos da empresa dedicados à expansão internacional
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Foto: Nubank/Divulgação / Estadão

Ainda nos EUA, ela citou que o banco precisa contratar pessoas e que existem alguns relatórios regulatórios que precisam ser ajustados, além da necessidade de capitalizar o banco. "E isso precisa acontecer nos próximos 12 meses. Ainda há uma lista de pendências."

Famoso por ter crescido no Brasil muito pelo "boca a boca", a partir de um cliente contando para o outro, Junqueira disse que o Nubank chegou a uma posição que pode acelerar esse processo de ser mais conhecido, por isso está investindo mais em marketing.

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Como o Nubank está indo para além dos três países em que já opera — Brasil, México e Colômbia —, a executiva disse que o Nubank precisa criar uma marca também mais global, o que leva tempo. Por isso, a fintech fez parceria com o Inter de Miami para ter seu nome no estádio do time de Leonel Messi, que vai ser inaugurado em abril. Além do futebol, foi para a Fórmula 1, onde fez acordo com a equipe Mercedes-AMG Petronas F1 Team, começando na temporada 2026.

Junqueira contou que há mais de um ano a fintech vem discutindo estratégias para a marca e optou por esportes globais, como o futebol e a Fórmula 1. "O Inter de Miami é uma franquia internacional, com fãs em todos os lugares", disse ela.

Serviços financeiros

Nos próximos cinco anos, o mercado de serviços financeiros dos Estados Unidos vai crescer o equivalente ao tamanho do mercado do Brasil, disse Junqueira.

Nos EUA, a executiva menciona que há alguns Estados, como Califórnia, Texas e Flórida com Produto Interno Bruto (PIB) maior que o brasileiro. "Mesmo uma fatia pequena do mercado dos Estados Unidos seria mais relevante para nós do que qualquer outro país que poderíamos entrar hoje", disse ao falar da decisão do Nubank de expansão para o mercado americano.

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"E mesmo uma fatia pequena pode tornar esse negócio tão relevante para nós como é o Brasil", afirmou. No vídeo, o Nubank é mencionado como sendo o maior banco privado brasileiro em número de clientes. "No Brasil, 60% da população adulta é nosso cliente. Nos EUA, a realidade é que mesmo 5 ou 10 milhões de clientes já serão significativos."

Sobre a expansão internacional do Nubank, que nasceu no Brasil, Junqueira disse que, antes de ir para o México, primeiro foi preciso criar um "caminho claro" para a rentabilidade e o crescimento no mercado brasileiro. E é exatamente o que acontece agora, quando a fintech está se expandindo para os Estados Unidos.

"A operação no Brasil é extremamente lucrativa, com alto retorno. O México está no caminho certo, perto de nos tornarmos um banco", disse a cofundadora, ressaltando que agora é um bom momento para dar o próximo passo.

"Temos menos de 10% dos recursos da empresa dedicados para a expansão internacional", disse ao falar que o banco tem disciplina em seu processo de internacionalização.

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