Os ministros de energia do G7 não chegaram a um acordo sobre a liberação das reservas estratégicas de petróleo nesta terça-feira e, em vez disso, pediram à Agência Internacional de Energia (AIE) que avalie a situação antes de agir.
A AIE disse estar convocando uma reunião extraordinária de seus países membros nesta terça-feira.
Os membros devem "avaliar a segurança atual do fornecimento e as condições do mercado para orientar uma decisão subsequente sobre disponibilizar ou não os estoques de emergência dos países da AIE para o mercado", disse o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol.
"Pedimos à AIE que elabore cenários para uma possível liberação de estoques de petróleo, precisamos estar prontos para agir a qualquer momento", disse o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, a jornalistas, após reunião dos ministros do G7 para discutir a alta dos preços da energia devido à guerra no Irã.
O G7 é formado pelos Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França.
Os preços de referência do petróleo subiram para máximos de quase quatro anos na segunda-feira, mas despencaram 11% nesta terça-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em breve.
Ainda nesta terça-feira, líderes da UE devem discutir a competitividade, incluindo os preços da energia, em uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o primeiro-ministro belga, Bart De Wever e outros.
Os governos europeus estão preocupados com a perspectiva de uma repetição da crise energética de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, quando os preços atingiram picos recordes, forçando algumas indústrias a encerrar suas operações.
EUROPA VULNERÁVEL
Mesmo antes da crise do Irã, os preços da energia na Europa eram normalmente mais altos do que nos EUA e na China, e os formuladores de políticas de Bruxelas enfrentavam apelos do setor para intervir com medidas de emergência.
"Em relação aos combustíveis fósseis, somos totalmente dependentes de importações caras e voláteis, o que nos coloca em desvantagem estrutural em relação a outras regiões. A atual crise do Oriente Médio é um forte lembrete das vulnerabilidades que isso cria", disse nesta terça-feira a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentando que a redução da energia nuclear foi um erro estratégico na Europa.
A Comissão Europeia disse nesta terça-feira que o Banco Europeu de Investimento investirá 75 bilhões de euros (US$87,32 bilhões) nos próximos três anos em infraestrutura de energia para desbloquear gargalos da rede elétrica e tentar reduzir preços.
"Estamos muito mais bem preparados para essa situação do que estávamos em fevereiro de 2022", disse o comissário de Energia da UE, Dan Jorgensen, citando um fornecimento mais diversificado.
A Europa obtinha cerca de 40% de seu gás da Rússia antes de Moscou reduzir as entregas em 2022. Atualmente, os principais fornecedores da UE são a Noruega e os Estados Unidos.