Tributação de dividendos muda o jogo para PMEs: 7 medidas para evitar prejuízos

Caminhos para reduzir prejuízos e reorganizar a estrutura empresarial diante da reforma da tributação da renda

3 fev 2026 - 06h18
Resumo
A retomada da tributação sobre dividendos em 2026 exige que empresas revisem estratégias de remuneração, gestão e governança para minimizar impactos e evitar prejuízos financeiros.
Foto: Freepik

A retomada da tributação sobre dividendos a partir deste ano, prevista na reforma da tributação da renda (Lei 15.270/2025), deve provocar mudanças na forma como empresas brasileiras organizam a remuneração de sócios e a distribuição de lucros. Com o fim da isenção, a distribuição de dividendos passa a ter impacto direto na carga tributária, exigindo ajustes estratégicos e uma visão mais estruturada de longo prazo.  

Para especialistas, a mudança vai além do aumento da carga tributária e exige das empresas a revisão de seus modelos de gestão, governança e planejamento financeiro. “Durante mais de duas décadas, a isenção de dividendos foi usada como uma ferramenta legítima de organização da remuneração dos sócios. Com a nova regra, quem não se antecipar corre o risco de comprometer margens, fluxo de caixa e até a sustentabilidade do negócio”, avalia Philippe Enke Mathieu, CEO da GFX - consultoria especializada em planejamento financeiro e empresarial. 

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Segundo Mathieu, olhar apenas para soluções pontuais pode gerar efeitos limitados, por isso é necessário uma análise mais profunda da estrutura da empresa. Desta forma, é possível alinhar estratégia tributária, crescimento e segurança jurídica. “O impacto da tributação pode ser reduzido, mas isso passa por decisões estruturais e planejamento contínuo”, reforça. 

Para ajudar empresas a se prepararem para o novo cenário, o CEO da GFX elenca sete medidas práticas que podem contribuir para evitar prejuízos e reorganizar o planejamento empresarial: 

• Revisar a política de distribuição de lucros - A revisão da política de distribuição passa a ser essencial para avaliar a frequência das retiradas, os valores pagos aos sócios e o impacto direto da nova tributação. Um planejamento mais criterioso ajuda a preservar o caixa da empresa e evita surpresas fiscais ao longo do ano. 

• Antecipar o planejamento de lucros - Analisar resultados acumulados e as possibilidades previstas nas regras de transição permite que as empresas tomem decisões mais estratégicas antes da entrada em vigor da tributação. “Quem antecipa o planejamento consegue organizar melhor a distribuição de lucros e reduzir perdas desnecessárias com impostos”, explica Mathieu. 

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• Reavaliar a forma de remuneração dos sócios - Com o fim da isenção, torna-se fundamental buscar um equilíbrio entre pró-labore, dividendos e outros instrumentos legais de remuneração. A escolha inadequada pode elevar custos e comprometer a saúde financeira do negócio. 

• Fortalecer a estrutura de governança - Registros contábeis organizados, atas societárias atualizadas e processos bem definidos são ainda mais importantes no novo cenário tributário. Uma governança sólida reduz riscos fiscais e garante maior segurança jurídica. 

• Considerar a retenção de lucros para reinvestimento - Em muitos casos, reter parte dos lucros e direcioná-los para reinvestimento pode ser mais vantajoso do que os distribuir e arcar com a nova tributação. A estratégia favorece empresas em fase de expansão ou que buscam aumentar competitividade. 

• Analisar a estrutura societária - Avaliar se o modelo societário atual segue sendo o mais eficiente do ponto de vista tributário, financeiro e sucessório é uma etapa estratégica. Ajustes estruturais podem gerar ganhos relevantes no médio e longo prazo. 

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• Planejamento como diferencial competitivo - Para o especialista, a tributação de dividendos marca uma mudança estrutural no ambiente de negócios e reforça a importância do planejamento financeiro estratégico. “As alterações não devem ser vistas apenas como um custo adicional, mas como um convite à profissionalização da gestão. Quem se prepara agora transforma o desafio em vantagem competitiva no futuro”, afirma. 

(*) Homework inspira transformação no mundo do trabalho, nos negócios, na sociedade. É criação da Compasso, agência de conteúdo e conexão.

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