O comportamento do consumidor mudou, e o marketing precisa acompanhar esse movimento. Em um cenário marcado pelo excesso de conteúdo e pela crescente presença da tecnologia, marcas que desejam se destacar precisam ir além da visibilidade e investir em conexão, consistência e estratégia.
A partir de discussões recentes entre lideranças de marketing, alguns aprendizados têm ganhado força e ajudam a orientar empresas que buscam se comunicar melhor com seus públicos. Confira!
1. Gerar conexão é mais importante do que apenas chamar atenção
Durante muito tempo, o foco esteve em maximizar alcance e visibilidade. Hoje, isso já não é suficiente. O desafio passa a ser criar identificação e relevância, considerando que o consumidor está mais atento a contexto, valores e propósito.
Segundo Ana Clara Sant'Anna, gerente de Marca e Comunicação na Claro, isso exige uma revisão na forma de escolher influenciadores e construir campanhas. "Por muito tempo, trabalhamos com grandes influenciadores com muitos seguidores. Funcionou por um tempo, mas percebemos que muitas vezes a marca pessoal desses creators se sobressaía à mensagem. Hoje, é preciso focar a conexão e em quem realmente fortalece a narrativa da marca", afirma.
2. Autenticidade se tornou premissa para as marcas
A construção de marca passa, cada vez mais, por coerência e consistência. Em um ambiente em que o consumidor é exposto a inúmeras mensagens, posicionamentos superficiais ou oportunistas tendem a perder espaço. Isso reforça a necessidade de desenvolver narrativas alinhadas ao comportamento do público e sustentadas ao longo do tempo, com foco em relevância contínua, não apenas em campanhas pontuais.
3. Inteligência artificial exige mudança na forma de trabalhar
O uso da inteligência artificial já ultrapassou a lógica de ganho de eficiência. O movimento agora é mais estrutural e envolve repensar processos, rotinas e modelos de operação.
Empresas que avançam nesse tema tendem a adotar ciclos mais curtos de experimentação, decisões orientadas por dados e maior integração entre áreas, ampliando a capacidade de execução sem necessariamente expandir equipes.
4. Testar, medir e escalar passa a ser parte central da estratégia
A lógica de planejamento também evolui. Em vez de concentrar grandes investimentos em poucas iniciativas, cresce a adoção de testes contínuos, com acompanhamento próximo de resultados.
Carolina Mega, head de Marketing na The Magnum Company, destaca a importância dessa abordagem mais prática: "O que os profissionais precisam é sair da teoria e ir para a ação. Coloca um percentual do investimento e mede bem. Uma estratégia bem-feita vai dar resultado, e isso facilita ampliar o investimento depois".
5. Creators se consolidam como peça-chave na comunicação
A creator economy se firma como um dos principais vetores de transformação do marketing. Com uma parcela significativa do conteúdo sendo produzida por criadores, as marcas passam a rever seus modelos de investimento e relacionamento. Mais do que alcance, o diferencial está na capacidade de gerar identificação com o público, tornando a comunicação mais relevante e efetiva.
Nesse contexto, Miriam Shirley, presidente da BrandLovers, destaca o papel estratégico desse movimento: "Creators não são apenas canais de distribuição, mas parceiros na construção de marca. Quando bem integrados à estratégia, eles ajudam a traduzir mensagens de forma mais autêntica e relevante para diferentes públicos".
Por Rodrigo Sévulo