A invasão dos Estados Unidos à Venezuela, com a captura do presidente Nicolás Maduro, comanda o humor dos mercados globais nesta segunda-feira (5). A ação militar elevou a tensão geopolítica, levou ações do setor de defesa a dispararem no mundo e colocou investidores em alerta para possíveis efeitos sobre o petróleo e a economia global.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, iniciou 2026 em queda de 0,36%, aos 160.538 pontos. Além do cenário externo, o índice foi pressionado pela decisão da China de impor uma cota de 1,1 milhão de toneladas às importações de carne bovina do Brasil, o que afetou diretamente empresas do setor.
A Minerva liderou as perdas do dia, com queda de 6,77%, refletindo a forte dependência do mercado chinês. Petrobras recuou 0,83% nas ações ordinárias e 0,36% nas preferenciais, enquanto a Vale subiu 0,58%, ajudando a conter perdas maiores do índice. Entre os destaques positivos ficaram Pão de Açúcar (+4,21%) e SLC Agrícola (+3,67%), enquanto Cyrela caiu 3,77%.
No câmbio, o dólar recuou 1,16% e fechou a R$ 5,42, favorecido pela entrada de recursos estrangeiros atraídos pelo alto diferencial de juros no Brasil, movimento conhecido como carry trade.
No cenário internacional, a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, com a captura do presidente Nicolás Maduro, comanda o humor dos mercados globais nesta segunda-feira (5). A ação militar elevou a tensão geopolítica, levou ações do setor de defesa a dispararem no mundo e colocou investidores em alerta para possíveis efeitos sobre o petróleo e a economia global.
As bolsas da Europa e da Ásia subiram forte, puxadas por empresas do setor de defesa. Na Europa, papéis como Rheinmetall, Saab, Leonardo e BAE Systems avançaram entre 4% e mais de 7%. Já no Japão, o Nikkei subiu 3,03%, enquanto o Kospi, na Coreia do Sul, avançou 3,43%. Na China, mesmo com o PMI de serviços no menor nível em seis meses (52 pontos), Xangai subiu 1,38% e Shenzhen avançou 2,25%.
Em Nova York, os índices futuros operaram em alta após declarações do presidente Donald Trump de que os EUA irão administrar a Venezuela durante um período de “transição segura”. A crise levou o Conselho de Segurança da ONU a convocar uma reunião de emergência, com participação do Brasil, enquanto países da América Latina e da Europa manifestaram preocupação com a estabilidade da região.
Apesar da gravidade do cenário, o petróleo teve reação limitada. O Brent caiu 0,05%, para US$ 60,72, e o WTI subiu 0,09%, para US$ 57,37. O mercado avalia que a Venezuela responde por menos de 1% da oferta global e que eventuais interrupções podem ser compensadas por outros produtores. Na reunião neste final de semana, a OPEP+ manteve seus planos de produção para o primeiro trimestre.
No Brasil, o foco agora se volta para a agenda econômica, com a divulgação da produção industrial, da inflação oficial de dezembro (IPCA) e de dados de emprego. A leitura do mercado é que a força do mercado de trabalho mantém pressão sobre a inflação de serviços, o que reforça a expectativa de que o primeiro corte da Selic fique apenas para março.
No setor corporativo, as ações da União Pet, resultado da fusão entre Petz e Cobasi, começam a ser negociadas na B3 sob o ticker AUAU3, enquanto a TIM ajustou o valor dos juros sobre capital próprio, mantendo a distribuição total em R$ 420 milhões.
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